Bruno Maçães será, para a maioria dos portugueses, apenas um membro discreto do Governo, mas representa o país em constantes reuniões em Bruxelas, na Alemanha e pela Europa fora e é ainda uma presença virtual muito ativa no Twitter, onde escreve em inglês e se identifica como Secretário de Estado de Portugal.

Depois de em fevereiro deste ano ter expressado opiniões fortes sobre o novo governo da Grécia, Maçães voltou a dar que falar ao questionar o "The Wall Street Journal" por causa dos valores utilizados para falar do desemprego em Portugal numa peça assinada por Patricia Kowsmann, correspondente em Lisboa.

O secretário de Estado dos Assuntos Europeus não gostou do que foi escrito e pediu ao jornal que corrigisse a peça, mas o jornal acabou por “discutir” com Maçães na rede social.

Com o título "Portugal na estrada para a recuperação antes do resgate económico, mas as cicatrizes mantêm-se",  a peça do jornal apresenta dados menos otimistas do que aqueles que foram divulgados pelo Eurostat em abril de 2015. Recorrendo às estimativas de maio, a repórter fala numa taxa de 13%, ao invés do resultado de 12,8% - referente a abril - a que Maçães se refere.



Já a repórter do "The Wall Street Journal" correspondente em Lisboa, Patricia Kowsmann, escreve a reportagem com números menos optimistas, apresentando os valores de Maio, ainda a título de estimativa, mas com um resultado menos favorável ao Governo de Passos Coelho, com uma taxa de desemprego a 13%.

Para o secretário o erro foi crasso e, após a sugestão de correção ser ignorada, Maçães relembra os jornalistas que acabou por identificar no seu tweet - Stephen Fidler, editor do jornal em Bruxelas, Gabriele Steinhauser, repórter correspondente também em Bruxelas – de que os níveis de desemprego em Portugal "estão agora nos mesmos níveis que estavam antes do resgate financeiro" e os valores de maio são ainda “preliminares”.

Incentivado a conversar por email, o secretário de Estado volta ao ataque e confronta os dados apresentados pelo "The Wall Street Journal" com números de setembro de 2011, quando a taxa de desemprego era de 13,2%, e compara-os com abril de 2015. E “encerra o assunto”. Mas o editor de Bruxelas parece não gostar do ataque e responde com dados de maio de 2011, data do primeiro resgate financeiro para Portugal, quando o desemprego era de 12,3%, e dados de maio deste ano, onde a estimativa aponta para 13%. E tal como Maçães, “encerra o assunto”.

A discussão continuou no Twitter, mas o secretário de Estado português acabou por vencer a batalha. O jornal corrigiu a peça:


Excerto da notícia do "The Wall Street Journal"


Maçães elogiou-o por isso sem, no entanto, fazer notar que há uma "diferença" entre 3 pontos percentuais e 0,3 e 0,4.