O secretário de Estado português dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu em Berlim que a Alemanha precisa de realizar «muitas das reformas estruturais» que Portugal fez recentemente, para aumentar a competitividade ao nível dos serviços.

«Todos sabemos a força do setor industrial alemão», com empresas «extremamente competitivas nos mercados globais e extremamente inovadoras», mas o setor dos serviços «não é competitivo do mesmo modo», afirmou Bruno Maçães no encerramento do II Fórum Luso-Alemão, que decorreu esta segunda-feira e hoje na capital alemã.

«Parece-me claro que, sobretudo no setor dos serviços, há muitas reformas que a Alemanha precisa de fazer», defendeu, em declarações à Lusa.

O governante, que viveu na Alemanha durante quatro anos, apontou como exemplos «as barreiras à entrada de novos competidores, a resistência à concorrência, os obstáculos de regulação, a fraca produtividade de firmas de advogados e farmácias».

«Isso cria desequilíbrios na economia alemã e na economia europeia», afirmou Maçães à Lusa, que na sua intervenção salientou que este assunto não diz respeito apenas à Alemanha.

«Um setor de serviços mais aberto e competitivo teria mais investimento, mais empresas novas, o que levaria os trabalhadores menos qualificados do setor industrial a mover-se para o setor dos serviços. O setor industrial alemão subiria na cadeia de valor e países como Portugal teriam oportunidades em atividades onde a indústria alemã deixaria de operar. A produtividade subiria na Alemanha e em Portugal», salientou.

Para o responsável pela pasta dos Assuntos Europeus, os Estados-membros da União Europeia deveriam criar um «espaço de comunicação livre e aberto» das políticas públicas.

«Não se trata de criar políticas públicas comuns, mas de criar um espaço onde as diferentes políticas públicas estejam em consideração», disse Bruno Maçães, acrescentando: «Eu não acredito num Estado comum europeu nem em Estados que vivem separados na sua soberania».

O mecanismo que propõe pretende «garantir que a reforma estrutural da economia europeia é feita em conjunto», considerando que a «crítica construtiva e honesta» e a «aprendizagem com outros exemplos» deveriam fazer parte do normal funcionamento da União.

O secretário de Estado defendeu a necessidade de «adotar uma lógica preventiva: até agora, as reformas estruturais são feitas numa situação de emergência ou então são adiadas permanentemente».

Por outro lado, há que resolver o «problema político», reduzindo «os custos das reformas no curto prazo e garantir que as vantagens não existam apenas no longo prazo, para além do ciclo eleitoral».

Por fim, o novo mecanismo «tem de funcionar numa lógica de responsabilidade coletiva», afirmou, argumentando que «os custos têm de ser partilhados porque as vantagens, numa economia integrada, serão partilhadas».