O secretário de Estado dos Assuntos Europeus afirmou esta quarta-feira que o acordo transatlântico de comércio traz novas oportunidades para o setor financeiro nacional cujo potencial no mercado da diáspora está subaproveitado devido às diferenças regulatórias.

Bruno Maçães, que falava após uma reunião com empresários a propósito da quarta ronda negocial desta parceria entre União Europeia e Estados Unidos, assinalou que se abrem «oportunidades muito grandes» ao setor financeiro, «que opera de forma bastante modesta nos EUA» porque a harmonização da regulação financeira faz parte dos objetivos de acordo.

«Este acordo vai criar oportunidades novas para as empresas portuguesas», frisou o secretário de Estado, salientando que o setor financeiro português tem «uma capacidade enorme de trabalhar» com a diáspora portuguesa nos EUA e no Canadá.

«Isso não tem sido possível, tanto quanto foi possível perceber, por dificuldades de diferentes regulações nos Estados Unidos e em Portugal. O acordo vai certamente abrir uma enorme possibilidade para o setor financeiro trabalhar com a diáspora», destacou.

Bruno Maçães destacou que o objetivo não é «harmonizar inteiramente, mas reduzir as discrepâncias de regulação» e obter «um nível maior de coerência regulatória», entre dois blocos que têm «perspetivas políticas sobre a regulação diferentes».

A questão é uma «Das mais difíceis» e tem encontrado bastante resistência do lado americano, sendo um dos pontos centrais da próxima ronda negocial.

Entre os representantes das 30 empresas que estiveram hoje no Ministério da Economia para transmitir as preocupações face ao acordo e os maiores entraves à sua atividade nos Estados Unidos, contavam-se o BIC, o Santander Totta, o Banif, o BCP e o BPI.

O secretário de Estado adjunto e da Economia, Leonardo Mathias, sublinhou que os dois ministérios [Economia e Negócios Estrangeiros] querem manter uma relação próxima entre os agentes económicos e políticos e já tinham reunido em fevereiro com mais de duas dezenas de confederações e associações empresariais, para abordar o mesmo assunto.

Leonardo Mathias frisou que o acordo «é uma enorme oportunidade para as empresas portuguesas» e adiantou que, segundo alguns estudos, uma liberalização total significaria um aumento de 28% das exportações da União Europeia para os EUA.

Os Estados Unidos da América ocupam, atualmente, o sexto lugar na tabela das exportações portuguesas, representando 4,6% das vendas para o exterior e sendo o segundo mercado extracomunitário mais relevante em termos comerciais, logo a seguir a Angola.

No ano de 2013, as empresas portuguesas de bens e serviços, exportaram 3,178 mil milhões de euros para o mercado norte-americano, mais 9,5% do que no ano anterior o que se traduziu num acréscimo de vendas superior a 274 milhões de euros.

Os Estados Unidos da América têm um PIB de 15,712 biliões de dólares, cerca de 77 vezes o PIB português.