A agência de rating norte-americana acaba de anunciar o corte em dois níveis a notação para a dívida do Reino Unido, depois de ter ganho o “sair” da União Europeia na votação da passada quinta-feira.

Segundo a Bloomberg, a Standard & Poor’s (S&P) desceu o rating de AAA para AA, "na eminência de menores previsibilidade, estabilidade e políticas efetivas no país".

O corte reflete também “o risco de deterioração das condições de financiamento do país no mercado externo”, com várias questões constitucionais a serem levantadas após a votação de quinta-feira em que a Escócia e a Irlanda do Norte optaram pelo “ficar”.

A empresa de rating atribui ainda ao Reino Unido um "outlook" negativo, que reflete os riscos em termos das “perspetivas da performance económica, fiscal e externa”.

Acrescem “as preocupações com o papel da libra esterlina como moeda de reserva, bem como os riscos para a constituição e para uma economia integrada no Reino Unido se houver outro referendo sobre a independência da Escócia”, diz o documento citado pela Bloomberg.

Moritz Kraemer, responsável máximo pela atribuição de ratings da agência, tinha dito à Bloomberg TV, na sexta-feira, que estariam atentos os desenvolvimentos políticos do desfecho desta votação, bem como aos impactos económicos.

Declarações feitas após o primeiro-ministro britânico, David Cameron, ter anunciado que se vai afastar do cargo, enquanto o Partido Trabalhista está em perfeito tumulto com a demissão de figuras centrais.

A descida de rating pode ser apenas a primeira no seio das grandes casas de notação mundiais. A Moody’s baixou o "outlook" do país de estável para negativo, logo na sexta-feira.  E tem o nível da dívida um passo abaixo do seu grau mais alto, Aa1. O que significa que pode descer em breve

Já a DBRS reafirmou o triplo A atribuído ao Reino Unido, reafirmando igualmente a perspetiva de "estável" das notações atribuídas à credibilidade creditícia britânica.