Nada de conversas formais, nem mesmo informais. A Alemanha diz que só depois de o Reino Unido ativar o artigo 50º do Tratado de Lisboa, para iniciar o processo de saída da União Europeia aí, sim, arrancarão as negociações.  

"Uma coisa é clara: antes de a Grã-Bretanha enviou este pedido não haverá conversações preliminares informais sobre as modalidades de deixar [a UE]"

O aviso foi feito não por Angela Merkel, mas pelo seu porta-voz Steffen Seibert, em conferência de imprensa, citado pela Reuters.

"Só quando a Grã-Bretanha fizer o pedido nos termos do artigo 50º o Conselho Europeu elaborará as orientações, por consenso, para um acordo de saída ", acrescentou.
 
 
Da parte de França, a preocupação mais premente é que o Reino Unido decida quem vai representar o país nas negociações, para que estas possam tomar forma.
 
O ministro dos Negócios Estrangeiros Jean-Marc Ayrault, lembrou que Inglaterra não pode ter autoaticamente acesso ao estilo suíço no mercado único da União Europeia e que, por agora, é "absolutamente" necessário resolver, primeiro, o problema de quem representa o Reino. 
 
"A partir daí poderemos trabalhar numa agenda e num calendário (...) Há uma série de assuntos para discutir. Acho que, primeiro, precisamos de descobrir exatamente o que os britânicos querem".
 
O Presidente francês, François Hollande, defendeu que as negociações para a saída do país devem decorrer de forma suave.

O ministro das Finanças britânico falou pela primeira vez, publicamente, sobre o Brexit, três dias depois de conhecidos os resultados do referendo

George Osborne defende, tal como David Cameron, que a invocação do dito artigo do Tratado de Lisboa não seja feita já, o que não vai de encontro ao que a Alemanha, tida como farol da liderança europeia, pretende. Angela Merkel falou mesmo do resultado do referendo como um "golpe para a Europa".

Ao mesmo tempo, Osborne tentou enviar uma mensagem para tranquilizar os mercados, garantindo que o Reino Unido está preparado para o que der e vier.