Mais de 400 mil milhões de dólares (310 mil milhões de euros) foram enviados do Brasil para o exterior de forma ilícita, entre 1960 e 2012, indica um estudo divulgado hoje pela organização norte-americana Global Financial Integrity (GFI), noticia a Lusa.

Do valor total, quase 93 por cento das fugas de capital foram concretizadas através de faturação fraudulenta de transações comerciais e o restante através de transferências bancárias não registadas.

«Além de representarem uma perda direta para a economia, esses fluxos estão a impulsionar a economia subterrânea, alimentado a criminalidade e a corrupção e privando o governo de receitas importantes», refere no estudo o presidente da GFI, Raymond Baker, avançando que a fuga de capitais será um tema importante para o candidato que vença as eleições presidenciais de outubro.

O estudo indica ainda que a fuga de capitais se tem intensificado ao longo dos 53 anos avaliados, passando, por exemplo, de uma média anual de 310 milhões de dólares (239 milhões de euros), na década de 1960, para uma média anual de 14,7 mil milhões de dólares (11,36 mil milhões de euros), na primeira década do século XXI.

Nos últimos três anos, esse valor aumentou ainda mais, atingindo 33,7 mil milhões de dólares (26 mil milhões de euros).

A GFI é uma organização sem fins lucrativos, com sede em Washington, que recolhe, analisa e divulga dados sobre fluxos de capitais ilícitos como forma de defender a transparência e evitar a corrupção, principalmente nos países em desenvolvimento.