
O Banco BIC Português vai absorver mais trabalhadores e mais agências do BPN do que os mínimos estipulados no contrato de compra estabelecido com o Estado.
«Vamos ficar com mais de 750 trabalhadores e com mais de 160 agências», assegurou esta sexta-feira, aos deputados, o presidente da entidade, Mira Amaral, no âmbito da sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao BPN (Banco Português de Negócios).
Estes números eram os patamares mínimos definidos com o Estado por altura da privatização do banco fundado por Oliveira e Costa.
Mira Amaral realçou, neste momento, o banco que lidera conta com 1.100 trabalhadores do BPN e que tem até ao final do ano para selecionar o número total de funcionários que serão integrados na nova entidade resultante da fusão do BIC com o BPN.
«Já selecionámos 230 trabalhadores dos serviços centrais», anunciou, sublinhando que «qualquer trabalhador despedido é um drama para a pessoa mas, pelo menos, não são 1.600 pessoas a ir para a rua», cita a Lusa.
Segundo Mira Amaral, «a compra do BPN pelo BIC por 40 milhões de euros é melhor para os contribuintes do que a liquidação do banco».
O gestor argumentou com os custos relacionados com as garantias dos depósitos e com o despedimento em massa dos funcionários do BPN.
Mira Amaral disse ainda aos deputados que espera fechar a integração jurídica das duas entidades em julho. «Vamos fazer uma fusão invertida. É mais fácil meter o BIC dentro do BPN porque este é maior».
Quanto à estratégia para o futuro próximo do banco que comprou o BPN, ela pela aposta no segmento das PME vocacionadas para as exportações. «A minha aposta de crédito são PME exportadoras com bom perfil».
«Já estamos a ter um aumento de depósitos desde que assumimos o BPN. Agora, não vou fazer crédito à habitação generalizado, nem crédito ao consumo em massa, porque a situação do país não está para isso».
Passos apelou à boa vontade de Mira Amaral
O presidente do BIC revelou ainda que o primeiro-ministro fez um apelo à sua boa vontade para fechar negócio e «salvar» o BPN da liquidação.
«Julgava eu, encantado da vida, que não havia negócio para a compra do BPN, que ia para outra, quando, às 08:15 da manhã de 23 de novembro, o senhor primeiro-ministro me telefona a pedir para eu passar por São Bento às 19:00 desse mesmo dia. Fiquei surpreendido, porque ele tinha chegado ao Governo e nunca me tinha telefonado».
A 23 de novembro, Passos terá dito: «Oh Mira Amaral, eu como primeiro-ministro tenho o dever de tudo fazer para salvar a liquidação do BPN e apelo à sua boa vontade para conseguir uma solução; respondi ao primeiro-ministro que a secretária de Estado, dois dias antes, tinha dito que não conseguia cumprir o acordo de 31 de julho», contou o antigo ministro de Cavaco Silva.
«Se Costa Pina fosse meu aluno, chumbava-o»
Mira Amaral disse ainda que se o ex-secretário de Estado do Tesouro Costa Pina fosse seu aluno, chumbá-lo-ia, devido às suas afirmações sobre o valor do BPN.
«É incompreensível que o senhor secretário de Estado de Tesouro e Finanças tenha dito o que disse. Eu chumbava-o como aluno», atirou Mira Amaral. «Queria vender o banco por 180 milhões de euros e o concurso ficou deserto».
O ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças Carlos Costa Pina manifestou-se no início desta semana surpreendido por o BPN ter sido vendido já pelo atual Governo por 40 milhões de euros ao BIC.
«Compra do Banco nada tem a ver com PSD»
Sobre a hipótese de ter sido beneficiado no concurso de privatização do BPN por já ter tido ligações políticas ao PSD, Mira Amaral respondeu: «Eu já era gestor profissional na energia e na banca antes de ir para o Governo. Não tenho nada a ver com o PSD, sou um gestor profissional».
«Aliás, não me esqueço que fui convidado para liderar a CGD pelo Governo PSD/CDS-PP, e que fiz a asneira de aceitar o convite. Depois, fui ofendido».