O presidente do BPI disse esta quarta-feira que não recebeu qualquer proposta para o BFA e que está "em diálogo" com a empresária angolana Isabel dos Santos sobre o projeto que junta numa holding as participações do banco em África.

A administração do BPI apresentou em setembro um projeto de cisão para criar uma nova sociedade para gerir as participações que o BPI detém no Banco de Fomento Angola (BFA), de 50,1%, mas também no Banco Comercial e de Investimentos (BCI), em Moçambique, e no BPI Moçambique.

O objetivo é cumprir as regras do BCE – Banco Central Europeu, que limitam os grandes riscos, com grande impacto relativamente à exposição do BPI a Angola.

Sobre a evolução desse processo, Ulrich disse que é "muito exigente" e que "envolve muitas autorizações e acordos", caso do Banco Central Europeu, mas também dos bancos centrais de Angola e de Moçambique.

Quanto a conversas com outras entidades, nomeadamente com a Unitel, da empresária Isabel dos Santos, dona de mais de 49% do BFA e que tem poder de vetar esta operação, Ulrich disse que a Unitel é um "parceiro" com uma "posição muito relevante nesta matéria, tem direitos conferidos pelos estatutos e pelo acordo parassocial", pelo que está "em diálogo", "há um processo em curso", recusando adiantar a posição que a empresária angolana poderá tomar.

Os jornalistas questionaram ainda o presidente do BPI sobre a existência de alguma proposta para o BFA, mas Ulrich respondeu apenas que "nada foi dirigido ao conselho de administração do banco BPI relativamente ao BFA".

Quanto à convocação da assembleia-geral necessária para aprovar - ou não - a criação da 'holding' que deverá juntar as participações do BPI em África, Ulrich afirmou que o objetivo é que essa aconteça antes do final do ano.

A imprensa tem adiantado que os espanhóis do Caixabank, o maior acionista do BPI, mas que vota apenas com 20% dos votos, poderão vir a aprovar a nova 'holding', mas que Isabel dos Santos, a segunda maior acionista, será uma negociadora mais difícil e que poderia vir a comprar uma posição minoritária no BFA para reforçar a sua posição no banco em Angola.