O presidente do conselho de administração do BPI, Artur Santos Silva, lamentou esta quinta-feira que a decisão sobre um eventual programa cautelar se faça num período eleitoral e criticou que os políticos só se preocupem com os votos.

«Infelizmente, este assunto [do programa cautelar] vai ser decidido num período mau, que é um período de eleições. E infelizmente faltam-nos visionários na Europa, que tenham na sua cabeça criar uma Europa solidária e apontar caminhos para os cidadãos», afirmou o também presidente do conselho de administração da Fundação Calouste Gulbenkian, mencionando exemplos como os do primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o presidente francês Charles de Gaulle ou, num contexto europeu, Jean Monnet e Robert Schumann.

Para Artur Santos Silva, que falava à margem da entrega dos diplomas aos finalistas do MBA Executivo da Porto Business School, «os políticos só estão preocupados com uma coisa, que são os resultados das eleições», na Europa como em Portugal, o que considerou ser «infelizmente uma lei da política de hoje».

O presidente do conselho de administração do BPI salientou repetidas vezes que a questão de um eventual programa cautelar não depende apenas de Portugal, mas sublinhou ser «preferível poder vir a ter um quadro que protegesse [o país] no caso de qualquer situação mais complicada».

Ainda assim, Santos ressalvou que Portugal está em condições «de enfrentar qualquer quadro, porque tudo vai depender do que a Europa efetivamente estiver disposta».