O Banco Millennium Angola (BMA) e o Banco Privado Atlântico (BPA) vão avançar com uma fusão no mercado angolano, com o Banco Comercial Português (BCP) a ficar com uma participação de 20% no novo banco, anunciou esta quinta-feira a instituição portuguesa.

O banco liderado por Nuno Amado realçou em comunicado que esta fusão reforça a sua capacidade de expansão em Angola, permitindo "obter condições para crescer em contexto adverso" e, simultaneamente, adaptar-se às implicações decorrentes da alteração da equivalência de supervisão decidida no final do ano passado pela Comissão Europeia relativamente aquele país africano.

O memorando de entendimento com o maior acionista do BPA, a Global Pactum - Gestão de Ativos, foi hoje assinado e, caso se concretize a fusão, vai criar a segunda maior instituição privada em crédito à economia angolana, com uma quota de mercado aproximada de 10% em volume de negócios.

"A junção das capacidades complementares do BMA e do Atlântico potencia oportunidades de crescimento e maximiza a capacidade de criação de valor em Angola, possibilitando a manutenção da contribuição da atividade em Angola em níveis consentâneos com a ambição do Millennium BCP e retornos sobre o capital investido na ordem dos 20%, compensando o abrandamento da economia angolana face aos planos iniciais", destacou o BCP.


Segundo o banco português, que detém 51% do Banco Millennium Angola (BMA) - os outros 49% estão nas mãos do BPA e da Sonangol -, "ficaram definidos mecanismos que asseguram um controlo e uma gestão eficazes dos riscos, de acordo com as melhores práticas, nomeadamente atribuindo aos administradores indicados pelo Millennium BCP os pelouros de 'risk office' e do crédito".

A nova entidade vai contar com um Conselho de Administração (CA) constituído por 15 membros, dos quais cinco vão ser nomeados pelo BCP, bem como uma Comissão Executiva (CE) de sete membros, incluindo dois indicados pelo banco português.

O BCP vai ainda ficar responsável pela indicação de um dos vice-presidentes do CA, que vai presidir à Comissão de Riscos ou à Comissão de Auditoria, bem como um dos vice-presidentes da CE, informou a entidade no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).