O tombo de 7% do Millennium bcp, contagiado pela forte queda da sua subsidiária polaca, levou a Bolsa portuguesa .PSI20 a perder mais de dois pct e a liderar as devalorizações na Europa, numa sessão em que a subida da Grécia foi a surpresa.

O índice que segue as 300 maiores cotadas da Europa, o Eurofirst 300, caiu 0,77%, mas as bolsas europeias fecharam com descidas menos acentuadas, de até 0,44% em Frankfurt.

"A queda mais forte da Bolsa portuguesa deve-se sobretudo ao tombo do BCP, castigado pela derrocada da subsidiária polaca, acabando por contagiar toda a praça nacional", explicou Alfredo Sousa, trader do Banco Best, citado pela Reuters.

"Para além do BCP, acho que o alerta deixado hoje pelo Fundo Monetário Internacional também levou a um acentuar das descidas do índice", realçou Gualter Pacheco, operador da GoBulling.


As acções do Millennium bcp, maior banco nacional cotado, afundaram 7,01 pct, penalizadas pelo tombo de 13,5 pct da subsidiária polaca Bank Millennium MILP.WA.

A camara baixa do Parlamento polaco aprovou ontem uma lei que dá aos polacos a opção de alterarem os seus créditos à habitação de francos suíços para zlotys, o que representa um custo superior a 2,5 mil milhões de euros para a banca do país.

A queda do BCP arrastou consigo também o Banif, que recuou 3,23%, e o BPI, que perdeu 3,83%.

A Pharol e a Mota-Engil estiveram também entre as piores performers do índice, com perdas de 6,81% e 7,13%.

Entre os pesos-pesados, a EDP desceu 0,38%, a Jerónimo Martins caiu 2,93%, a NOS recuou 1,94% e a Galp Energia caiu 2,5%.

A oil&gas portuguesa foi castigada pela queda a pique do preço do barril de Brent nas últimas semanas, para abaixo do patamar dos 50 dólares, e por uma descida ligeira da produção no Brasil, em Junho.

Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis do Brasil, a produção média de petróleo no país deslizou 0,7% em Junho, após ter registado a primeira subida mensal do ano em Maio.

Em alta fecharam apenas a EDP Renováveis, com uma subida de 0,71%, e a Portucel a ganhar 0,74%.

O FMI disse hoje que Portugal poderá falhar a meta governamental do défice público de 2,7% do PIB, este ano, sem um esforço adicional de contenção da despesa pública, tendo mantido a previsão de um défice de 3,2% para 2015.