A bolsa de Lisboa aprofundou as quedas nas últimas horas de negociação, uma tendência que os analistas estão a relacionar com o aumento da incerteza política no país, e com os riscos inerentes aos dois cenários em cima da mesa, depois das eleições.
 
Um dos cenários passa por um governo minoritário constituído pela coligação PSD e CDS-PP, e o outro por um governo constituído pelos partidos de esquerda – PS, PCP e Bloco de Esquerda. Este último cenário, apesar de garantir uma maioria parlamentar, para os analistas acarreta outras incertezas relativamente à forma como esse governo lidaria com alguns temas, nomeadamente as questões europeias.
 
O clima de indefinição acabou por fazer com que a bolsa lisboeta caísse 3,05% para 5.350,31 pontos, muito mais do que as restantes praças europeias, onde a alemã fechou no verde e as outras com quedas abaixo de 1%.
 
Neste cenário negativo, a banca foi o setor mais pressionado e o BCP acabou por cair 9,38% para 0,057 euros. Uma queda que pode ser também em parte um movimento de alguma correção, já que na semana passada o banco acumulou um ganho de 20%.
 
Ainda no setor financeiro, o BPI também perdeu 7,29% para 1,068 euros.  
 
Mas as quedas estenderam-se a outros setores, incluindo os pesos pesados da praça. A Pharol recuou 4,39% para 0,327 euros e a EDP fechou a deslizar 3,38% para 3,378 euros. No setor da energia merece ainda nota a Galp, que desceu 1,51% para 9,888 euros. A petrolífera anunciou esta manhã um aumento na produção de petróleo e na refinação, mas as vendas de combustíveis e gás natural ao consumidor final caíram no terceiro trimestre.
 
Nota final para a Jerónimo Martins, que caiu 2,08% para 12,24 euros, uma queda que se deve em grande parte à situação na Polónia. O mercado polaco tem muito peso no negócio do grupo, e o maior partido da oposição, que está à frente nas sondagens para as próximas eleições, anunciou que pretende impor uma taxa sobre as receitas das retalhistas.