Depois do choque inicial do Brexit, que afundou os mercados, seguiu-se um rali nas bolsas europeias, mas o Goldman Sachs antecipa que vem aí um travão. E mais do que isso: as previsões do banco de investimento são pessimistas, antevendo uma quebra de 10% nas ações europeias durante os próximos três meses. Um sentimento ao qual não escaparão as praças norte-americanas, do outro lado do Atlântico.

"Uma vez que as ações permanecem caras e o crescimento dos resultados é pobre, os títulos estão agora na parte superior de um período de lateralização nos mercados", explica a equipa de analistas liderada por Christian Mueller-Glissmann, numa nota citada pela Bloomberg. Com isto, não tem dúvidas que os investidores procurarão menor risco. 

"O nosso indicador de apetite pelo risco está perto de níveis neutrais e o momento positivo desvaneceu-se, sugerindo que será necessário um cenário macro mais favorável ou uma nova ronda de estímulos para permitir que o rali continue"

A atuação dos bancos centrais perante o Brexit acalmou os mercados e ajudou a lidar com o impacto do referendo britânico à permanência na União Europeia - cujos resultados foram favoráveis à saída -, mas esperam-se tempos mais difíceis pela frente.

Basicamente, a melhoria do crescimento é, segundo o Goldman Sachs, condição essencial para que as bolsas venham a ter desempenhos mais sustentáveis e duradouros. Para além dos problemas europeuas, também as preocupações sobre os estímulos ao crescimento na China, a incerteza política global e, em particular, na Europa e na Turquia, são fatores de preocupação.