O índice de referência nacional recua 1,08%, liderando um movimento de correção europeu após quatro sessões positivas, com a incerteza sobre a aprovação pelo parlamento de Atenas das duras medidas de contrapartida ao terceiro resgate financeiro, que visa evitar a bancarrota do país.

O acordo de princípio sobre o resgate de 86.000 milhões de euros (ME), requer a aprovação das principais medidas, que incluem uma reforma do sistema de pensões, um vasto aumento da carga fiscal e um emagrecimento da despesa pública.

"A necessidade de passar medidas ainda mais duras no parlamento grego pode ser outro obstáculo, e por isso vemos os mercados com alguma cautela até haver claridade," disse Jonathan Sudaria, trader no London Capital Group, citado pela Reuters.

O FTSEurofirst 300, índice constituído pelas 300 maiores cotadas da Europa, desce 0,31%, com quedas de 0,15% Paris, e 0,7% em Madrid e Milão.

O Primeiro-Ministro helénico, Alexis Tsipras, enfrenta agora uma revolta dentro do seu partido, com alguns parlamentares da ala esquerda do Syriza a classificarem o acordo como uma capitulação.

"A reviravolta notável de Tsipras não passou despercebida na Grécia, com um escalar das reações política e social," frisou Sudaria.

Eleito em Janeiro com um programa para acabar com a austeridade, Tsipras vê-se agora obrigado a recuar, mas deverá ter o apoio de grande parte do Syriza e da oposição pró-europeia para passar a legislação no parlamento.

Segundo operadores, o sector petrolífero também está a penalizar os mercados europeus, pressionado pelo acordo nuclear entre o Irão e seis potências mundiais, com o levantar das sanções visto a aumentar gradualmente as exportações de crude de Teerão.

O preço do barril de Brent, em Londres, tomba 2,2% para 56,58 dólares e o de crude Nymex cai pelo mesmo valor para 51,05 dólares, castigados pelas eventuais consequências do acordo histórico na oferta de petróleo.

No mercado obrigacionista, a yield das obrigações soberanas gregas a 10 anos sobe 4 pontos base (pb) para 12,06%, enquanto a equivalente portuguesa segue estável nos 2,79%.