O presidente do Banco Central Europeu desvalorizou hoje os efeitos da incerteza política em Portugal, numa declaração que foi entendida pelos mercados de que o Banco Central Europeu está pronto a intervir, em caso de necessidade, na compra de mais dívida pública.

O comentário de Draghi à situação política portuguesa, feito ao início da tarde, considerando que a instabilidade política faz parte da democracia, provocou um recuo imediato dos juros da dívida pública portuguesa a 10 anos no mercado secundário. Depois de, durante a manhã, os juros terem subido e chegado a ultrapassar os 2,5%, acabaram por recuar durante a tarde e fecharam a 2,356%.

A intervenção de Draghi fez também inverter a tendência negativa da Bolsa de Lisboa, que esteve a negociar de manhã em contraciclo com as pares europeias. O índice PSI 20 acabou o dia a subir 0,41%, mesmo assim abaixo das congéneres europeias, que ganharam em média mais de 2%.


BPI dispara e BCP afunda


A ajudar o índice português estiveram os títulos do BPI, com ganhos de 5,730%, a beneficiar de notas de research favoráveis do BBVA, Citi e Deutsche Bank, na expetativa do regresso aos lucros no terceiro trimestre do ano. O BPI apresenta resultados na próxima-quarta-feira.

Ao contrário, o BCP afundou 5,119%, para 5,19 cêntimos por ação, ainda penalizado pelo corte de avaliação por parte da UBS e pela possibilidade do seu participado na Polónia ser afetado por medidas legislativas a adoptar depois das eleições legislativas polacas do próximo domingo.

Uma nota ainda para o Banif que se manteve inalterado pelo segundo dia consecutivo, a negociar a 3 décimas de cêntimo.