A CMVM já levantou a suspensão da negociação das ações da Pharol, SGPS, S.A., pelo que os títulos vão negociar em bolsa esta quarta-feira, depois de na última sessão nenhum ter trocado de mãos entre investidores. Seja como for, não foi logo a partir das 08:00 da manhã, hora a que abre a bolsa, que os títulos começaram a ser trocados de mãos.

"Tendo em conta a volatilidade do título, a Euronext decidiu colocar os títulos a negociar só a partir das 10:00", explicou à TVI24 João Leite, do Banco Carregosa.

Mesmo que venha aí uma desvalorização considerável, em reação ao pedido de recuperação judicial da Oi, o maior ativo da Pharol, que detém 27% da companhia brasileira, sendo a capitalização bolsista de cerca de 14 milhões, "em cash tem muito menos do que isso", adiantou ainda João Leite, querendo dizer que mesmo que os títulos caiam bastante, a capitalização bolsista será sempre maior do que o dinheiro em caixa da empresa, já que "os outros dois ativos são uma incógnita": a Oi e a o papel comercial da RioForte. 

A Pharol, antiga PT SGPS, enviou ontem um comunicado ao regulador de mercado indicando que "não estão previstas, no âmbito do processo de recuperação judicial da Oi, mudanças na estrutura do quadro funcional ou nos órgãos sociais das empresas Oi. Todas as obrigações laborais da companhia e benefícios atuais serão mantidos".

"A Pharol reitera a sua determinação em continuar a defender a valorização do seu principal ativo – a participação de 27,2% de ações detidas direta e indiretamente através de subsidiárias a 100% na Oi - e a sua vontade de continuar a acompanhar, de perto e com todos os meios, a evolução da Oi durante o processo de recuperação judicial".

As ações da Pharol terminaram na segunda-feira a 0,128 euros, acusando uma desvalorização de 4,47% face à sessão anterior, depois de terem caído até ao mínimo de 0,122 euros no dia 24 de maio.

A empresa de telecomunicações brasileira Oi entrou segunda-feira com um pedido de recuperação judicial, o maior de sempre no Brasil, para tentar manter a continuidade do negócio, segundo um comunicado emitido por aquela entidade.

A Bloomberg noticiou ontem que o bilionário egípcio, Naguib Sawiris, está de olho na operadora de telecomunicações brasileira Oi.

A ligação da Oi e da Pharol

Este problema da Oi tem implicações para a Pharol porque foi esta empresa brasileira que ficou, após a cisão da Portugal Telecom SGPS em duas, com a responsabilidade de reembolso a quem investiu em obrigações da PT. Ora, a Pharol é a antiga PT SGPS. 

A situação financeira complicada da Oi dificulta o cumprimento de compromissos, nomeadamente para com os obrigacionistas. A pouco mais de um mês do confronto com a dura realidade estão os obrigacionistas que investiram em papéis cuja maturidade finda no próximo dia 26 de julho. E é a essa linha de obrigações que se refere o comunicado de hoje da CMVM, uma linha com o código PTPTCYOM0008.

Tal como a TVI noticiou, a 1 de junho, o relógio está a contar para o fim do prazo dessa linha e o reembolso ronda os 231 milhões de euros. Na altura da sua constituição, em 2012, eram 400 milhões, que foram subscritos ao balcão por cerca de 20 mil investidores, 18 mil dos quais subscreveram até 50 mil euros cada. Mas em 2015, com a alteração de emitente, a que levou o desmembramento da PT, foi dada aos obrigacionistas a hipótese de venderem e não passarem para a PT Internacional Finance que ficou com estas obrigações e com outras de diferentes maturidades - no total cerca de uma dezena, na maioria obrigações cuja maturidade mais longínqua vence em 2025.

Na semana passada, a Oi emitiu um comunicado dando conta de que falharam as negociações para a renegociação da dívida. E, agora, surge este pedido de recuperação judicial. Mais um fator que pode complicar a recuperação do dinheiro por parte dos obrigacionistas da PT.