O disparo superior a 7% da Galp Energia levou a Bolsa de Lisboa a fechar em alta, acompanhando a euforia das praças europeias, que recuperaram o terreno perdido esta semana. Os investidores estão animados com o crescimento da economia norte-americana e com a perspetiva, agora mais longínqua, de uma subida de taxas diretoras.

O índice Eurofirst 300, que agrega as 300 maiores empresas europeias, ganhou 3,68% e as principais bolsas do Velho Continente fecharam com subidas entre 0,69% em Atenas e 3,71% em Londres.

A animar os mercados estiveram notícias vindas dos EUA, onde as expectativas de uma subida de taxas estão agora mais longe, apesar do crescimento económico do país ter sido revisto em alta. O Presidente do Federal Reserve Bank de Nova Iorque, William Dudley, disse ontem que um aumento das taxas é agora "menos convincente" do que há algumas semanas atrás, considerando que "os desenvolvimentos internacionais aumentaram, de certa forma, os riscos de revisão em baixa para o crescimento económico dos EUA". Por sua vez, o produto interno bruto da maior economia do mundo cresceu mais rápido do que o inicialmente estimado, tendo expandido 3,7% no segundo trimestre de 2015, face aos 2,3% reportados no mês passado.

O desacelerar da economia chinesa, e as consequentes quedas nos mercados do país, têm vindo a castigar as bolsas nos últimos dois meses, com o nervosismo amplificado após o banco central da China ter desvalorizado o yuan a 11 de Agosto. Na passada terça-feira, as autoridades chinesas anunciaram um corte das taxas de juro e dos requerimentos para os rácios de capital dos bancos, tendo injetado também 140.000 milhões de yuans (cerca de 20 mil milhões de euros) através de operações de liquidez de curto prazo. Esta quinta-feira, a Bolsa de Xangai disparou 5,4%.

O euro deprecia-se 0,7% face à moeda norte-americana para 1,1238 dólares, enquanto no mercado petrolífero, a sessão está a ser de fortes ganhos. O preço do barril de Brent dispara 7,95%, para 46,57 dólares e o barril de Crude Nymex em Nova Iorque ganha 7,23% para 41,40 dólares.

GALP BRILHA

Em Lisboa, o PSI-20 subiu 2,73%, com 16 dos 18 títulos do índice a fecharem em alta, numa sessão em que a Galp brilhou. A petrolífera valorizou 7,22% para 9,331 euros, à boleia da subida do preço do petróleo nos mercados internacionais.

Com subidas superiores a 4% destacaram-se a Pharol (subiu 4,18%, para 0,249 euros) e a Mota-Engil. As ações da empresa de construção chegaram a disparar 8,7%, numa retoma técnica com fraca liquidez. A Mota-Engil fechou em alta de 4,34%, para 2,140 euros.

Suporte adicional para o mercado nos pesos-pesados EDP  e Jerónimo Martins, com ganhos de 3,66% (para 3,142 euros) e 2,74% (para 12,745 euros), respetivamente.

Na banca, o Banif ganhou 1,85% (para 0,0055 euros), o BPI valorizou 2,7% (para 0,950 euros) e o Millenium BCP subiu 2,73% (para 0,0640 euros). No caso do BCP deu-se um melhoria da avalaiçaõ feita pelo Deutsche Bank, que reviu em alta a recomendação do maior banco cotado em Portugal para 'Manter' (Hold), face ao anterior rating de 'Vender' (Sell).

Nota final para a Portucel, que subiu 1,53%, para 3,258 euros. O BESI subiu o que considera o valor justo para as ações da empresa em 10% para 4,4 euros por ação, após o que considerou serem resultados robustos no segundo trimestre de 2015, que tornam a produtora de pasta e de papel uma interessante oportunidade de compra. A Portucel mostrou registou uma subida homóloga do lucro líquido de 18% para 58,7 milhões de euros, considerada inesperada por parte de diversos analistas.