Portugal deve precisar de um segundo resgate mais rápido que o esperado inicialmente e deve perder a imagem de bom aluno, considera o economista do BNP Paribas Ricardo Santos.

Numa nota enviada aos clientes, o economista do banco francês considera que existem vários cenários mas que todos vão levar a eleições antecipadas ainda este ano e que a situação atual demonstra que «nem o senhor Passos Coelho nem o senhor Portas querem ser responsáveis por desligarem a ficha», informa a agência Lusa.

«Neste cenário, um novo programa cautelar que irá seguir o atual que acaba no segundo trimestre de 2014 será discutido provavelmente mais cedo que o inicialmente esperado».

O economista diz que Pedro Passos Coelho dificilmente se demitirá já que tal «provavelmente significaria o fim da sua carreira política».

O BNP Paribas considera também que Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia já devem estar a perder a paciência com Portugal e é provável que a troika exija uma garantia de que o programa continuará a ser implementado.

«Podemos assistir a uma repetição de 2011 quando os três partidos - PS, PSD e CDS-PP ¿ acordaram o memorando de entendimento antes das eleições», diz.

Pedro Passos Coelho anunciou terça-feira que tenciona manter-se como primeiro-ministro, numa declaração ao país, feita na sequência do pedido de demissão de Paulo Portas do cargo de ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros.

Na mesma declaração, o primeiro-ministro disse que não aceitou o pedido de demissão de Paulo Portas, pelo que não propôs a exoneração ao Presidente da República do ministro dos Negócios Estrangeiros.

Pedro Passos Coelho comunicou a intenção de esclarecer as condições de apoio político ao Governo de coligação com o CDS-PP e o sentido da demissão do ministro Paulo Portas.