Os dois leilões de dívida de curto prazo realizados esta quarta-feira tiveram resultados positivos para o Tesouro português, já que conseguiu um financiamento bem acima do previsto e os juros desceram. Numa das linhas, foram mesmo negativos. Ficaram assim imunes ao disparo da taxa de juro de referência a 10 anos, depois de a DBRS, a única agência que coloca o rating Portugal acima de lixo,  ter alertado para o fraco crescimento económico e a elevada dívida, bem como as previsões da Economist Intelligence Unit de uma expansão lenta do PIB até ao final do ano. 

Em Bilhetes do Tesouro a três meses, o Estado conseguiu arrecadar 400 milhões de euros, sem ter de pagar qualquer taxa de juro, uma vez que foi negativo -0,108%. Da última vez, a taxa foi 0,075%, mas a procura tinha sido maior (2,6 vs. 1,96 agora).

No outro leilão a 11 meses, o financiamento obtido alcançou os 900 milhões de euros, com a procura a mais que duplicar a oferta (2,31 vs. 1,7 na última emissão com as mesmas características). Os juros também desceram e ficaram mesmo próximos de zero (0,007), quando no anterior o Estado pagou uma taxa de 0,038.

Assim, e esperando o Estado encaixar 1.000 milhões de euros, fazendo contas esta emissão de dívida de curto prazo ultrapassou essa expectativa já que, no total, arrecadou 1.300 milhões. 

A primeira linha tem maturidades em 18 de novembro de 2016 e a segunda vence a 21 de julho de 2017.

Mercado não vê risco a um ano

Perante estes resultados, Filipe Silva, gestor de dívida do Banco Carregosa, no Porto, diz que acabaram "por sair em linha com as baixas taxas que temos na curva da dívida soberana europeia e Portugal continua a beneficiar com isso".

O alerta da DBRS é mais um dos que eles fizeram, mas para já não passa disso mesmo e acabou por não ter nenhum efeito negativo. O mercado continua a não ver risco de incumprimento na dívida portuguesa de curto prazo (até um ano)"

Já no mercado secundário, as taxas de juro da dívida a 10 anos, que é a que serve de referência para medir o risco de um país, dispararam 10 pontos base para os 2,97% esta quarta-feira, precisamente em reação aos alertas internacionais sobre o fraco crescimento de Portugal.

A bolsa nacional está a ignorar o sucesso destes dois leilões, provavelmente pelo facto de não ser a dívida de curto prazo, mas sim a de longo prazo, que permite aferir o risco de um país.