O presidente do Banco BIC de Angola disse esta terça-feira à Lusa estar seguro quanto ao reembolso a receber do Estado português no âmbito da privatização do BPN porque, afirmou, «há um contrato e esse contrato vai ser cumprido».

«A questão é que há um contrato e esse contrato vai ser cumprido com certeza», disse Fernando Teles, que se encontra em Luanda para participar na 30ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA).

«Há cláusulas contratuais. Mas não é nada que nos preocupe. Tudo isso está a correr normalmente, anda a ser tratado desde a data de aquisição» do BPN, afirmou.

Em causa está a notícia avançada pelo jornal Público, segundo a qual o grupo luso-angolano, que pagou 40 milhões de euros pelo BPN, já enviou para o Tesouro faturas de cerca de 100 milhões de euros ao abrigo do contrato de execução assinado com a atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.

O acordo entre o BIC e o Estado prevê que o banco de capitais luso-angolanos assuma as verbas que são reclamadas judicialmente por clientes e credores sobre o extinto BPN, enviando depois as faturas para o Tesouro, que lhe deverá reembolsar os montantes em causa.

«Aquilo que nós esperamos é que haja um momento em que os nossos assuntos com o Estado pela compra do BPN, sejam totalmente resolvidos», disse o presidente do banco à Lusa.

Fernando Teles referiu mesmo que o assunto é um fait divers, que veio à baila porque «não há notícias», e que «mais importante» que a notícia de segunda-feira foi o facto de o banco ter ficado com 1.200 trabalhadores em vez dos 750 previstos no contrato de compra do BPN.