A Escom, empresa detida pelo Universo Espírito Santo, estava prometida à Sonangol, mas não chegou a ser vendida, confirmou esta quinta-feira o ex-presidente do BES Angola. Álvaro Sobrinho deu ainda conta, na comissão de inquérito ao BES, que foi a ES Resources, a holding do Grupo Espírito Santo responsável pelos investimentos não financeiros do grupo, que recebeu o sinal de 52 milhões de euros. Agora, saber onde está esse dinheiro, Sobrinho diz que não sabe.

«Posso dizer quem recebeu, o destino do dinheiro não sei». «Quem recebeu foi a Espírito Santo Resources»


E a quem foi vendida a Escom - ou melhor - a quem era suposto ser vendida? »À Sonangol», respondeu o ex-presidente do BESA à deputada do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua. Explicou, depois, qual era a ideia do negócio: «Quem compra a Escom é a Sonangol com a promessa de a Sonagol comprar a Newsbrook». 

«Por que é que a Escom não fez o negócio diretamente com a Sonangol? Terão de perguntar diretamente à Sonangol», que «tem um conglomerado imenso de participações», afirmou, já na terceira ronda, respondendo à mesma deputada.

«A  única coisa que eu sei e é racional para toda a gente é que boa parte do ativo da Escom estava em Angola», acrescentou ainda. 

Sobre se a Espírito Santo Resources e o BES quiseram enganar a Sonalgol, recebendo o sinal de 52 milhões de euros, mas não concretizando o negócio, remeteu para Ricardo Salgado. Lembrou que o ex-presidente do BES invocou o segredo de justiça para não responder a essas questões. E, ele próprio, também não o faria.

O ex-presidente do BESA indicou, por outro lado, que foram «dadas ao BESA garantias dos acionistas» nesse negócio da Escom que, na verdade não chegou a existir.« De certeza absoluta que o crédito ia ser pago», garantiu Álvaro Sobrinho, acrescentando que tinha o valor de 305 milhões de euros.