A segunda ronda de perguntas na audição de Zeinal Bava na comissão de inquérito ao BES/GES teve um formato diferente, adaptado ao «convidado» desta noite. Como os deputados não estavam a conseguir obter esclarecimentos do ex-presidente da Portugal Telecom, optaram por um esquema de pergunta-resposta mais rápido.
 
Ainda assim, o deputado do PCP Bruno Dias teve de repetir várias vezes a mesma pergunta, para saber o que discutia Bava nas reuniões que admite ter tido com Ricardo Salgado.
 
«Não discuti com Ricardo Salgado aplicações em títulos», garantiu, taxativamente. Antes, já tinha assegurado que nunca deu «a ordem» para fazer esses investimentos no Grupo Espírito Santo. 
 
O que falou, então, com Salgado? «Discuti vários temas, a maior parte das vezes acompanhado por Henrique Granadeiro», esclareceu, mas pouco.

Já nas perguntas da deputada do CDS Cecília Meireles, Zeinal Bava apenas disse não ter «memória» de falar com Salgado sobre uma aplicação de 200 milhões de euros da PT na Rioforte. 
 
Dentro da PT, era com Granadeiro e o administrador financeiro, no âmbito da comissão executiva, que eram discutidas essas aplicações. «A interação com o BES era feita mais a nível operacional», detalhou.
 
No fundo, a decisão de investir era «consensualizada» e até do «conhecimento público», como exemplificou no caso dos investimentos feitos no BES e na CGD após o «encaixe substancial» da venda da Vivo.
 
Admitindo que «existia conhecimento de qual era a exposição ao GES», Bava destacou, no entanto, que todos os títulos nos quais a PT investiu no GES eram considerados como associados ao BES, que, como já tinha dito ao longo da tarde, «nunca ninguém imaginaria que ia falir». «Sempre cumpriram, sempre pagaram», lamentou.

Durante a audição, Zeinal Bava assegurou não ter conhecimento do investimento de quase 900 milhões de euros na Rioforte já em 2014, que viria a tornar-se desastroso para a PT.

Até aí, segundo Bava, a PT tinha «conforto» em investir no BES porque este era um «banco sólido» e «ninguém imaginaria que ia falir».

Abordando por diversas vezes a «parceria estratégica» entre a PT e o BES, o ex-presidente da empresa de telecomunicações admitiu que esta tinha «contrapartidas» e que o banco era o acionista «mais proativo» da Portugal Telecom.

Zeinal Bava garantiu ainda que não reclamou nenhum prémio após ter saído da PT.

Os deputados queixaram-se muito da postura do ex-responsável da PT e da Oi, que muitas vezes optou por repetir frases como «não guardo memória de...»,  tendo a bloquista Mariana Mortágua optado por criticar o «amadorismo» de Bava.