Aquele que viria a ser o futuro braço-direito de Vítor Bento da administração do Novo Banco, José Honório, delineou, nos bastidores, um plano de salvação para o Grupo Espírito Santo que tinha como «alvo» José Manuel Durão Barroso.

Segundo uma investigação do jornal i, a estratégia passava por usar o presidente da comissão Europeia como veículo de influência junto do primeiro-ministro, do Presidente da República e até na Comissão europeia, para travar possíveis problemas no Luxemburgo e na Suíça.

O plano de salvação que envolvia responsáveis políticos começou a ser delineado por Ricardo Salgado e José Honório antes do dia 2 de abril. Mas só nessa data passou a ser conhecido pelos restantes membros da família que tinham assento no Conselho Superior do GES.

Como José Honório não queria assumir de imediato a função de presidente executivo da empresa, Salgado propunha que o gestor ficasse como senior adviser da Rioforte, por 2,1 milhões de euros por ano.

O plano de salvação viria a ser apresentado a 17 de abril, numa reunião do Conselho Superior do GES. E passava por convencer Durão Barroso. Depois, Durão Barroso teria de conseguir alguns apoios em Bruxelas, para que não acontecesse nada no Luxemburgo ou na Suíça. Salgado não hesitou: o plano tinha de ser posto em prática.

Além de Durão Barroso, o i contactou Passos Coelho e Cavaco Silva, na tentativa de perceber se Ricardo Salgado tinha estabelecido contactos para que interviessem a favor do plano de salvação do grupo. Até à hora do fecho da edição, não obteve qualquer resposta.