«Algures na primavera», Ricardo Salgado comunicou à ministra das Finanças as suas primeiras preocupações com o Grupo Espírito Santo. Nunca com o BES, em si, disse esta quarta-feira a ministra das Finanças, na comissão de inquérito ao BES.  Maria Luís Albuquerque revela ainda que, «em maio ou junho», o dono do BES apresentou um plano para pedir financiamento da CGD para o grupo. Seria o GES que estava em apuros, não o banco. Dois meses depois, já se sabe o que aconteceu: o colapso.

Nesse primeiro momento de exposição das «preocupações», «o Banco de Portugal estava a avaliar e a apurar informação». Mas, realçou a governante, «nessa fase a preocupação era o GES e não uma preocupação iminente com BES». Essa questão «foi-se avolumando».

«Julgo que algures em maio, ou talvez em junho, em que foi apresentado [por Salgado] um pedido, ou melhor, um plano que passaria por financiamento da CGD (...) para salvar o GES, ou seja, o ramo não financeiro»


Pelo discurso da ministra, pressupõe-se que Salgado escondeu a exposição do BES ao GES que já existia nessa altura. 

Maria Luís diz que relativamente à área não financeira do grupo, «não havia motivo» para ter preocupações, «porque Banco de Portugal tinha atuado atempadamente para proteger o banco da exposição à área não financeira». 

Neste momento, o deputado Miguel Tiago, do PCP perguntou então porque é que o colapso aconteceu (se o BdP tinha atuado). A ministra respondeu: «Se me perguntar se eu acho que o senhor deputado é saudável e me disser que sim, acha que me posso responsabilizar por isso?».

A interpelação tornou-se tensa. Miguel Tiago acusou a ministra de estar a devolver perguntas e de ter proferido declarações que não se revelaram verdadeiras sobre «os riscos» que a solução (não) tinha para os contribuintes. Maria Luís, claramente irritada, respondeu:

«Eu não menti em nenhum dos momentos em que falei neste Parlamento e agradeço ao senhor deputado que não volte a falar nesses termos»


Antes, já tinha garantido que «nunca a questão se colocou sobre o banco». Sempre sobre o grupo e poucos meses antes do que aconteceu com o BES, reforçando: «Não houve nunca nenhuma conversa [com Salgado] sobre uma ameaça do banco. Essa conversa sobre a recapitalização nunca existiu». 

Posto isto, «injetar dinheiro no GES está completamente fora de questão. Há muitas empresas que infelizmente neste país vão à falência por culpa de gestores ou vicissitudes e o Estado não intervém nem no GES, nem em PME, nem noutras instituições».

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