O advogado de José Maria Ricciardi, presidente do BES Investimento, considerou que a tese de defesa de Ricardo Salgado, antigo presidente do BES, aposta na transformação de uma conduta criminal num processo de perseguição política.

"O Dr. Ricardo Salgado e os seus advogados optaram, ao que tudo indica, em transformar publicamente uma conduta com óbvias conotações de natureza criminal num processo de perseguição política que transpõe os limites do ridículo, na esteira da defesa que o eng. José Sócrates tem vindo a promover na 'Operação Marquês'", lê-se num comunicado assinado por Pedro Reis, advogado de Ricciardi.


No mesmo documento a que a Lusa teve acesso, é dito que "seria mais avisado que o Dr. Ricardo Salgado e seus advogados se inquietassem com as consequências que tal opção acarreta para a perturbação das investigações criminais que estão em curso e que sobre ele incidem, em vez de persistirem no triste ensaio de envolver terceiros nas responsabilidades próprias".

Pedro Reis considerou ainda que "era tempo de o Dr. Ricardo Salgado e seus advogados compreenderem que qualquer imputação que façam em desabono ou desfavor do Dr. José Maria Ricciardi tem, como único efeito, a valorização pública" do seu representado.


O ex-presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, acusou o Banco de Portugal de ter feito cair a instituição com o apoio do Governo, salientando que, sem a intervenção do regulador, esta “não teria colapsado”.

As acusações constam de um documento com 432 páginas assinado pelo escritório de advogados Uría Menéndez-Proença de Carvalho, e que é uma resposta ao processo de contraordenação aberto pelo Banco de Portugal.

No documento, a defesa de Salgado lança várias 'farpas' a Ricciardi, sublinhando que "a idoneidade de quase todos os membros da família Espírito Santo que geriram o BES desapareceu, excepto a do Dr. José Maria Ricciardi que continua totalmente idóneo para o exercício de funções de gestão no sector e que, felizmente, ao contrário de todos os outros membros da família, continua a ficar muito bem na fotografia com os principais responsáveis políticos do país".

Mais, segundo a defesa de Salgado, "o facto de o primeiro-ministro [Pedro Passos Coelho] abordar 'incómodos' (sic) sobre o 'tema BES/GES', em 'conversas informais' (sic) com o seu amigo Dr. José Maria Ricciardi, demonstra o padrão de diligência com este tema foi tratado, incluindo em sede legislativa, nas vésperas e no dia da resolução".

E é também referido que, "certamente que, para efeitos de não acusar o Dr. José Maria Ricciardi, o Banco de Portugal terá entendido que ocorre um motivo ponderoso para se poder concluir pela inexistência de um conflito de interesses, quanto a este administrador".

No mesmo documento elaborado pelo escritório de advogados Uría Menéndez Proença de Carvalho é possível observar que Ricardo Salgado indicou 27 testemunhas para serem ouvidas no âmbito do processo contraordenacional movido pelo Banco de Portugal, entre as quais figuram Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, e Carlos Silva, secretário-geral da União Geral dos Trabalhadores (UGT), na qualidade de testemunhas abonatórias.

São também chamados Jorge Martins, presidente da Martifer, e Fernando Nobre, presidente da Assistência Médica Internacional (AMI), e ainda José Castella, que era o responsável pelas contas do Grupo Espírito Santo (GES).