Foi a deputada Mariana Mortágua quem trouxe a expressão por que é conhecido Ricardo Salgado à audição do próprio, na comissão de inquérito ao BES: «Não deixa de ser curioso que 'o dono disto tudo' queira passar a imagem de 'vítima disto tudo'». Uma versão «difícil de comprar», segundo a deputada do Bloco de Esquerda.O ex-presidente do BES contrariou a afirmação, dizendo que não é vítima» e que «dono disto tudo é o povo português».

«Nunca fui nem nunca quis ser dono disto tudo. Foi uma classificação que me foi colada, provavelmente para me prejudicar no futuro»

«Não sou vítima. A  minha responsabilização será certamente apurada pela via judicial, dos tribunais».


Ricardo Salgado frisou por várias vezes que ele e a sua equipa quiseram sempre «procurar defender os interesses dos clientes», Isto tudo, «numa envolvente política, económica e financeira» de grande complexidade. «Nunca passei por uma crise desta dimensão», admitiu. 

«Considero-me um trabalhador e trabalhava aos fins-de-semana em sacrifício da minha própria família. Para mim, sinceramente, dono disto tudo é o povo português»


O banqueiro fez ainda questão de lembrar, na sequência dessa afirmação, que «os senhores [deputados] são os representantes do povo português».

Ricardo Salgado não assumiu as culpas sozinho pela crise no GES, que fez o BES levar por tabela. Falou sempre no plural, referindo-se aos administradores do grupo. E, quanto ao colapso do banco, muito menos. Aí atirou as culpas diretamente ao Banco de Portugal, dizendo que «o BES não faliu, foi obrigado a desaparecer».

Também apontou o dedo ao Governo, que não quis saber do pedido de financiamento intercalar para o GES, que seria reembolsado no prazo de cinco anos. Salgado mostrou ressentimento quanto à atitude de Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque, uma vez que efetuou o pedido em maio. Segundo o banqueiro, tudo podia ter corrido melhor se esse pedido tivesse sido acatado e se o Banco de Portugal tivesse dado mais tempo.

Por isso, perante Aos deputados, admitiu que gostaria de ver as auditorias forenses para perceber melhor o que se passou, invocando as provisões  excessivas exigidas pelo Banco de Portugal e o capital próprio positivo que o BES tinha que não as justificava.

«O BES escusava de ter desaparecido. Escusava de ter havido a resolução», «se boa parte destas provisões não tem justificação».