Ricardo Salgado, juntamente com José Manuel Espírito Santo e José Honório, tiveram reuniões com três vários do Governo: o primeiro-ministro, a ministra das Finanças e até o secretário de Estado adjunto de Passos Coelho. A reunião com Carlos Moedas foi, de resto, a primeira, a 2 de maio de 2014, para avisá-lo do risco sistémico inerente e da necessidade de financiamento intercalar. A ideia era que o Estado entrasse com dois mil milhões de euros. Não seria uma participação, mas um «empréstimo» ao Grupo Espírito Santo (GES).

«Tivemos oportunidade de falar com o Dr. Carlos Moedas, compreendeu natualmente s dituação, mas penso que ele não fez absolutamente nada. As pessoas fundamerntais erram o primeiro-ministro e a ministra das Finanças»


A reunião com Maria Luís Albuquerque teve lugar a 14 de maio e com Passos Coelho seis dias depois, a 20 de maio. O colapso, recorde-se, aconteceu na segunda quinzena de julho. Nestes encontros, Salgado diz que explicou preto no branco a sua estratégia. Sem segundas intenções:

«Não houve intenção de vantagens estranhas ou promíscuas com o Governo. Foi comunicar ao Governo pela última vez a eventualidade do risco sistémico e a necessidade de obter o tal apoio intercalar para poder financiar a área não financeira». «Não foi com objetivo de nos desresponsabilizarmos. Era nossa responsabilidade comunicar exatamente o que poderia vir a acontecer. E aconteceu. Infelizmente, o senhor primeiro-ministro recusou e comunicou-o na imprensa».


Por duas ou três vezes, o banqueiro mostrou ressentimento pela postura de Passos Coelho, corroborada por Maria Luís Albuquerque. Salgado entende que o Governo não agiu com o sentido protetor que, no seu entender, devia, «ao contrário do que o GES fez pelas salvaguarda das empresas». Citou exemplo lá de fora, como a  Peugeot, em que o governo francês atuou «quando esteve à beira do precipício».

Também houve contactos com o governador do Banco de Portugal e «eventualmente demos uma palavra ao dr. Durão Barroso». Ninguém acedeu, segundo Salgado.