O presidente do Banco Espírito Santo (BES), acionista de referência da Portugal Telecom (PT), operadora que está num processo de fusão com a brasileira Oi, admitiu esta sexta-feira aos jornalistas que ficou «surpreendido» com a venda da participação do banco público.

«Fiquei surpreendido porque o processo, tanto quanto eu sei, a Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi informada sobre este projeto de fusão entre a PT e a Oi. Acredito também que valia a pena esperar pela consumação da fusão», afirmou o banqueiro, em Lisboa, durante a divulgação das contas do BES.

Segundo Salgado, a CGD não devia ter avançado já para a alienação das ações da operadora de telecomunicações portuguesa, «porque há um mundo novo de oportunidades para a PT com a fusão com a Oi».

Ainda assim, o presidente do BES frisou que «a CGD está pressionada pela troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional)», devido ao apoio estatal que recebeu para se recapitalizar.

«Não faço nenhuma consideração crítica, apenas surpreendo-me», acrescentou Salgado, elogiando a equipa de gestão da CGD que, na sua opinião, «está a fazer o melhor que pode».

Sobre a diluição do peso português na estrutura acionista da PT, Salgado frisou que «o BES não está isolado», apontando para a participação que a Ongoing detém na empresa e para os investidores brasileiros que são parceiros dos portugueses em diversos projetos.

Mesmo assim, Salgado admitiu que a posição portuguesa na PT «fica com certeza enfraquecida» com a saída da CGD. Até porque, considerou que era positivo a manutenção do banco público na estrutura acionista «para contrabalançar a força do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento do Brasil)».