O ex-quadro do BES Angola (BESA) João Moita disse esta quarta-feira acreditar que Ricardo Salgado acompanhasse «bem» o que se passava em Luanda, mas sublinhou que nem tudo era decidido entre o ex-banqueiro e o antigo líder do BESA Álvaro Sobrinho.

«Penso que o dr. Salgado acompanhava bem o que se passava em Angola», sublinhou Moita, ouvido esta tarde na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do Grupo Espírito Santo (GES), nota a Lusa.

Sobre o assumir de responsabilidades pela queda do BES e do GES, João Moita diz que Ricardo Salgado tem chamado para si algumas responsabilidades sobre ações tomadas, mas há toda uma «cadeia» a nível de administradores que não o tem feito.

«Assumo as responsabilidades que tive no BESA no departamento de risco. Mas não estou disponível para aceitar a responsabilidade dos outros. Não estou disponível para assumir as responsabilidades que outras pessoas não querem assumir», vincou.

Declarando não ter seguido «sempre» os trabalhos da comissão, o antigo responsável do BES e do BESA diz crer, contudo, que «tem transparecido algum aligeirar de responsabilidades de muita gente, nomeadamente ao nível das administrações».

João Moita foi diretor do departamento de risco do BES e, em 2011, foi convidado pelo antigo presidente do BESA Álvaro Sobrinho para integrar os quadros do banco angolano.

Aí permaneceu até junho de 2013, era então Rui Guerra o presidente executivo, e posteriormente, e até agora, Moita trabalha em Angola num outro banco liderado por Álvaro Sobrinho.

A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».