O Novo Banco, instituição criada na sequência do colapso do Banco Espírito Santo, anunciou esta segunda-feira prejuízos de 467,9 milhões de euros no período compreendido entre 4 de agosto e 31 de dezembro de 2014.

A rentabilidade do Novo Banco foi afetada pelo custo total com imparidades, que ascendeu a 699,1 milhões de euros, dos quais 378,1 milhões de euros para crédito, 199,7 milhões de euros para títulos, 57,7 milhões de euros para ativos não correntes detidos para venda e 63,6 milhões de euros para outros ativos e contingências.

As imparidades decorrentes das participações na Portugal Telecom/Oi foram de 108,4 milhões de euros.

«As provisões atingiram o valor de 699,1 milhões de euros, que conjuntamente com o aumento registado nos custos com impostos decorrentes da alteração da taxa de IRC aplicável no apuramento dos impostos diferidos, condicionaram o resultado do Grupo Novo Banco», realçou em comunicado a entidade liderada por Eduardo Stock da Cunha.


Excluindo os fatores de natureza não recorrente, o resultado líquido apurado no período foi de 229,7 milhões de euros.

O resultado antes de provisões e imparidades (resultado bruto) atingiu 419,9 milhões de euros no período de cerca de cinco meses de atividade do Novo Banco, com o resultado financeiro e os serviços a clientes a ascenderem a 266,3 milhões de euros e 178,2 milhões de euros, respetivamente.

Já o produto bancário comercial situou-se nos 444,5 milhões de euros, ao passo que o produto bancário fixou-se nos 788,5 milhões de euros.

Os custos operativos dos cinco meses de vida do Novo Banco totalizam 368,6 milhões de euros, correspondendo a uma redução de 5,8% no quarto trimestre face ao terceiro trimestre de 2014, em base comparável.

O rácio de capital core tier 1 era de 9,6% em 31 de dezembro último. Mas, considerando o regime especial dos ativos por impostos diferidos, situava-se nos 9,8%.

Em termos de liquidez, «no quarto trimestre registou-se uma forte recuperação de 4,2 mil milhões de euros da carteira de depósitos o que constituiu a demonstração da confiança dos clientes no Novo Banco e da retoma da normalidade operacional», assinalou a instituição.

Assim, «a liquidez apresentou uma melhoria expressiva, com o rácio de transformação a atingir 126%, que compara com os 155% em setembro de 2014», lê-se no comunicado.


Em sequência do plano de desalavancagem implementado pela nova gestão, o ativo reduziu-se em 6,9 mil milhões de euros em cinco meses para 65,5 mil milhões de euros, com especial incidência no crédito (-1,8 mil milhões de euros) e na carteira de títulos (-1,7 mil milhões de euros).

Após a apresentação de resultados, o presidente do Novo Banco, Stock da Cunha, afirmou não saber qual o valor da instituição financeira perante os resultados apresentados dos últimos cinco meses de 2014.

Quadro de pessoal em Portugal foi reduzido em 116 trabalhadores

O Novo Banco cortou 116 postos de trabalho entre o início de agosto do ano passado, data da sua criação na sequência da resolução do BES, e o final de 2014, e o número de agências em Portugal permaneceu inalterado.

Assim, em dezembro de 2014, o Novo Banco contava com um total de 6.834 colaboradores na rede doméstica, número que compara com os 6.950 funcionários que tinha a 04 de agosto, já em termos ajustados.

Ao nível dos balcões, não houve qualquer alteração em Portugal, mantendo-se em funcionamento 631 agências.

Na atividade internacional, houve uma redução de 49 colaboradores para um total de 888 funcionários e a rede de balcões fixou-se no final do ano passado em 44 agências, graças à abertura de uma nova agência.

No total, houve um corte de 165 trabalhadores para 7.722 funcionários e um incremento de um balcão para o total de 675 agências.

Segundo Eduardo Stock da Cunha, presidente do Novo Banco, que falava aos jornalistas por videoconferência a partir de Londres, a redução do quadro de pessoal «correu sem qualquer problema».