Carta de Machado Da Cruz de 07-01-2014



O chamado  commissaire aux comptes do Grupo Espírito Santo, o contabilista Francisco Machado da Cruz, que está a ser ouvido esta quinta-feira na comissão de inquérito ao BES / GES, confirmou aos deputados a ocultação do passivo da Espírito Santo Internacional, entre 2008 e 2012 que desencadeou a derrocada do grupo e do banco. E que, segundo ele,  terá sido tudo por ordem de Salgado. Revelou mais: passados seis anos, por já não aguentar mais assumir responsabilidades pelas contas, sozinho, quis demitir-se. Foi há um ano, em janeiro de 2014, quando alertou os responsáveis da Família Espírito Santo para o «certo descontrolo» que se verificava no grupo.

Enviou uma carta ao Conselho Superior do GES a 7 de janeiro de 2014, a que a TVI teve acesso, considerando que era melhor demitir-se das suas funções, por estar a alegar um «erro», que os auditores não aceitavam «existir sem responsáveis». Por isso, viu-se «forçado» a assumir tudo «pessoalmente». Fê-lo, diz, por «absoluta lealdade» aos seus «superiores hierárquicos e ao grupo». Uma missiva que foi enviada agora à comissão de inquérito. Aos deputados, garantiu que queria ter dito a verdade aos advogados do Luxemburgo, mas Salgado terá exigido que fosse com a versão do «erro» até ao fim.

Era ele próprio, o contabilista, quem assumia, desde 2008, as responsabilidades pelas contas mas, decorridos já vários anos em que supostamente era ele quem dava a cara, percebeu que não podia continuar assim. Daí o email enviado diretamente da Suíça para o conselho superior do GES, seis anos depois do esquema que manobrou as contas do grupo. Termina dizendo que «o que foi feito, por feito por uma razão».