«Utilizar como meio de financiamento das suas holdings um fundo de investimento tipicamente de curto prazo, nesta escala, é uma confissão pública de uma enorme fragilidade».

Daí, Fernando Ulrich concluir que a «informação pública que existia a partir de finais de 2011 fornecia um indício claríssimo da fragilidade financeira do GES».

O banqueiro explicou que, desde o segundo semestre de 2011, «o GES não conseguia refinanciar a dívida que tinha nas principais holdings sem ser por esta forma».

«Se tivesse outra, não iria utilizar esta, em que tinha de exibir publicamente, perante auditores, reguladores e concorrentes, esta enorme fragilidade financeira».

Para o presidente do BPI, «não é de espantar que um grupo muito endividado tivesse dificuldades em financiar a sua dívida», mas «utilizar o banco para vender dívida de curto prazo através de um fundo de investimento» colocou o GES numa «situação frágil», porque «a dívida passou a ser colocada diretamente junto dos clientes e daí muitos dos problemas que afetam tantas pessoas».

«O que deitou abaixo o BES…»

Fernando Ulrich destacou ainda que a exposição do BES ao BESA, a partir de 2008, era «muito grande» e fez parte da «enxurrada» que provocou o colapso do BES.

 

«O que deitou abaixo o BES foi uma conjugação de problemas em Angola e com o GES».

Antes, no início da sua intervenção inicial, o presidente do BPI considerou «muito positivo que as pessoas com altas responsabilidades prestem contas aos deputados».

 

«Ninguém pode estar em torres de marfim, todos temos de esclarecer os atos e as decisões que tomamos com grande impacto na vida do país».

«Independentemente dos resultados» desta comissão de inquérito, Ulrich considera que este «trabalho é muito importante». Ulrich destacou ainda que é «amigo da família Espírito Santo».