Luís Horta e Costa admitiu sentir «alguma admiração e uma profunda desilusão» por Ricardo Salgado, lamentando que o Grupo Espírito Santo tenha ido «ao charco», mas também atribui a culpa a quem estava «à volta» de Salgado e não atuou.
 

«Isto foi ao charco e eu cresci neste grupo, mas não sei de quem é a culpa. Se calhar é de todos. Acho muito difícil a culpa ser de um só».

 
Segundo o administrador da ESCOM, Ricardo Salgado «habituou-se a tomar decisões sobre tudo», porque «ninguém tomava», «pecando permanentemente por omissão» e não tendo «coragem para o enfrentar».
 
Horta e Costa considera que Salgado pode ter desenvolvido «uma atitude magnânima» por «omissão dos seus pares».
 

«Qualquer coisa que fosse um bocadinho mais complicada, ninguém queria conversar sobre isso. Diziam: é melhor falares com o Ricardo. Houve omissão por parte das pessoas que lhe podiam fazer frente».


Horta e Costa assegurou que «ninguém tem tanta capacidade de trabalho e de resolver problemas» como Ricardo Salgado.
 

«Salgado é o dono disto tudo, é tudo o que o senhor deputado quiser. Mas ele é capaz de ouvir. Tivemos grandes conversas e até discordâncias em relação ao prémio dos submarinos, mas ele entendeu a nossa argumentação. Tinha havido um compromisso que quem trouxesse o negócio também recebia e ele acedeu. Passado uns anos esqueceu-se, mas pronto».


Na mesma audição no Parlamento, Luís Horta e Costa explicou a suposta venda da ESCOM à Sonangol, atribuindo a Ricardo Salgado a responsabilidade do negócio.
 
Explicou ainda o negócio dos submarinos e a distribuição de 27 milhões de euros em prémios, admitindo que a ESCOM montou um «puzzle financeiro» para «aproveitar» uma amnistia fiscal.