A Espírito Santo Financial Group (ESFG), a holding que detém o BES, adiou a assembleia-geral que vai aprovar as contas relativas a 2013, as quais incluirão uma provisão extraordinária de 700 milhões de euros.

Em informação divulgada à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a ESFG informa o mercado que a próxima assembleia-geral, marcada para o dia 25 de abril, «não apreciará as demonstrações financeiras auditadas, individuais e consolidadas, relativas ao ano findo em 31 de dezembro de 2013», o que acontecerá numa reunião magna a realizar em «data não posterior a 31 de maio de 2014», nota a Lusa.

A holding sediada no Luxemburgo refere ainda que nas contas será incluída «uma provisão extraordinária de 700 milhões de euros, aprovada pelo Conselho de Administração da ESFG, referente a potenciais riscos associados à exposição às atividades não financeiras do Grupo Espírito Santo».

A provisão hoje conhecida de 700 milhões de euros na ESFG foi, segundo a imprensa, imposta pelo Banco de Portugal devido à preocupação de que várias empresas não financeiras do GES, caso da Espírito Santo International, não tenham capacidade de reembolsar os restantes 700 milhões de euros dos 1.700 milhões de euros em papel comercial colocado junto de clientes do BES.

Esta provisão de 700 milhões de euros poderá levar a um novo reforço de capitais na ESFG.

Além da holding, também o BES ¿ que em 2013 teve prejuízos de 517,6 milhões de euros e cujas imparidades ascenderam a 1.422,8 milhões de euros - já adiou por duas vezes a data da assembleia-geral anual. Depois de ter passado de 02 para 14 de abril, na semana passada, a reunião foi novamente adiada para 28 de abril.

Em fevereiro, na presentação de resultados, o presidente do BES, Ricardo Salgado, admitiu um novo aumento de capital no banco e, questionado sobre a auditoria que estava a ser feita ao Espírito Santo International, disse que essa partiu de «um pedido do Banco de Portugal».

«Não vou comentar. Vamos dar todas as informações no final março e ficarão totalmente esclarecidos», afirmou Ricardo Salgado.

Então, uma notícia do Expresso relatava que a instituição liderada por Carlos Costa queria garantir a segurança dos investidores do retalho que compraram papel comercial emitido pela holding que detém as participações financeiras e não financeiras do Grupo Espírito Santo.

Ricardo Salgado afirmou também, em fevereiro, que o processo de reorganização do grupo Espírito Santo que estava em curso estaria pronto até final de março e que então seriam divulgadas as mudanças.