O Grupo Espírito Santo (GES) está a utilizar as aplicações financeiras dos clientes do Banque Privée para refinanciar parte da sua dívida superior a sete mil milhões de euros, diz o Diário Económico.

Vários clientes do banco suíço do GES queixam-se que as suas aplicações em dívida da Espírito Santo International (ESI) foram transferidas, na data de maturidade, em papel comercial da subsidiária Rioforte com vencimento no final de 2014.

Um cliente lesado afirmou ao jornal que o GES fez «o reembolso do papel comercial da ESI, mas o dinheiro não esteve nem duas horas na conta: foi logo investido em dívida da Rioforte». E acrescentou «Ninguém me perguntou se queria o meu dinheiro de volta ou se o queria investir na Rioforte».

O Banquee Privée recusou-se a comentar mas o jornal apurou que estão em causa contratos em que existem mandatos de reinvestimento, ou seja, em que os gestores do banco têm plenos poderes para voltarem a aplicar o capital noutros ativos.

Nas últimas semanas, o GES tem feito esforços para refinanciar a sua dívida, que é maioritariamente composta por títulos de curto prazo da ESI e da Rioforte.

A ESI é a holding de topo do GES, sendo detida em 56% pela ES Control, a sociedade dos cinco ramos da família Espírito Santo. É dona de 100% da Rioforte, que, por sua vez, é proprietária das empresas não-financeiras do GES (turismo, agropecuária) e tem 49% do Espírito Santo Financial Group (ESFG), o maior acionista do BES, com 20%.

A ESI está a ponderar avançar com um pedido de insolvência no Luxemburgo, tendo já atrasos no reembolso de papel comercial subscrito por vários clientes do Banque Privée.

Clientes preparam queixa contra banco de fortunas do GES

A empresa está agora a preparar um plano de reestruturação e a tentar um acordo com os principais credores, na esperança que aceitem tornar-se acionistas.

Os acionistas da ESI reúnem a 29 de Julho, no Luxemburgo, para deliberar sobre o plano de reestruturação da holding, que prevê a conversão de dívida em ações preferenciais e a venda de ativos.