A Sociedade de Avaliação Estratégica e Risco (SaeR) realizou um estudo, encomendado por Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, que concluiu que o supervisor bancário e o Governo falharam na condução do processo de intervenção no Grupo Espírito Santo (GES).

O estudo foi coordenado por José Poças Esteves, presidente da SaeR, e Avelino de Jesus, professor universitário, e deu origem ao livro 'Caso BES, a realidade dos números'.

Os autores consideram que a queda do GES e do BES foi provocada pela crise financeira mas também por falhas no comportamento dos gestores e dos decisores públicos. De acordo com o relatórios dos economistas, a vigilância do supervisor foi insuficiente, por um lado. Por outro, o Banco de Portugal e o Governo ignoraram a importância que um grupo desta dimensão tinha para a economia portuguesa.

Questionado pela TVI sobre a possibilidade da obra cair em descrédito devido ao facto de ter sido encomendada pelo ex-presidente do BES, o coordenador do estudo responde:
 

"Eu espero que não. O Dr. Ricardo quando encomendou sabia que a opinião que iria ser emitida era uma opinião independente, podia ser a favor ou contra. Encontramos muitos factos a favor mas também há muitos factos onde ele foi culpado".

Ao contrário daqueles que têm acusado salgado de uma gestão centralizada, este livro alega que a gestão do grupo era equitativa entre os cinco ramos da família.

Os autores sublinham ainda que "a opção de resolução não era a única e que havia várias alternativas possíveis". Escrevem que uma solução que tivesse mantido a integridade do GES, independentemente da sua estrutura acionista, teria assegurado que Portugal não perdia o seu último grupo empresarial e financeiro.