O Banco de Portugal soube da dimensão do buraco que provocou a queda do Grupo Espírito Santo pelo menos no início de dezembro.

Uma troca de cartas entre o supervisor e Ricardo Salgado, revelada pelo «Expresso», mostra que terá sido a 10 de dezembro que o Banco de Portugal teve conhecimento da dívida de 1.300 milhões de euros na Espírito Santo Internacional.

Na altura, Salgado justificou a dívida de 1,3 mil milhões com um «erro contabilístico».

Porém, o regulador nunca revelou este valor, que só viria a ser tornado público em abril, já depois do prospeto do aumento de capital do BES ter sido publicado.

Numa segunda carta enviada pelo vice-governador do Banco de Portugal, a 23 de dezembro, o regulador pede explicações sobre este buraco nas contas e exige medidas de proteção do BES em relação ao grupo, medidas que nunca viriam a ser aplicadas por Salgado.