O presidente do Banco Espírito Santo (BES), Ricardo Salgado, abordou esta sexta-feira a crise nas relações entre Portugal e Angola, considerando que estas têm que ser mantidas e, se possível, até reforçadas, e afastou um impacto negativo sobre o BES Angola.

«Os fluxos de capital de Angola para Portugal são muito importantes nesta altura», destacou o banqueiro, que recentemente esteve por duas vezes naquele país africano.

«Tive a enorme satisfação de ser recebido pelo Presidente da República angolano, antes ainda da declaração que fez sobre a relação com Portugal. Como compreenderão, não posso fazer considerações sobre as declarações do Presidente angolano, nem dos políticos portugueses», disse em resposta às questões dos jornalistas.

«Mas, nas duas recentes visitas que fiz a Angola, posso dizer que, como banqueiro - e não político - aquilo que senti é que há uma vontade muito grande dos empresários na manutenção das relações entre os dois países», assinalou, realçando que há, atualmente, «mais de 150 mil portugueses a trabalhar em Angola».

Segundo Salgado, «muitos empresários portugueses estão a ter sucesso nos seus negócios em Angola», daí, admitiu que notou existir «preocupação» nas declarações dos políticos portugueses.

E acrescentou: «As relações entre portugueses e angolanos são pautadas pela afetividade, familiaridade, pelo que há que fazer tudo para que a relação seja reforçada, e não cortada».

Afirmando que acha possível que haja uma «evolução política positiva», Salgado disse que assegurou aos empresários portugueses que o BES «faz questão» de continuar a apoiar os negócios entre Portugal e Angola.

«Os banqueiros portugueses têm um papel muito importante nesta relação. Cabe-nos a nós mostrar o interesse nessa relação, defendendo os interesses portugueses em África e os empresários portugueses. Além disso, temos que apoiar as empresas angolanas que querem investir em Portugal», salientou.

E reforçou que, por todas estas razões, «é fundamental que esse problema se resolva».

Questionado sobre o possível impacto negativo desta tensão política sobre o BES Angola, cuja maioria do capital é controlada pelo grupo português, Salgado desvalorizou essa possibilidade.

«O BESA está hoje com uma nova gestão, uma equipa de primeiríssima categoria que está a desenvolver um plano estratégico. Os nossos parceiros angolanos estão muito contentes com a equipa. Não acredito que tensão política afete o BESA, porque o banco, para todos os efeitos, é angolano e os acionistas angolanos têm 49% do capital».