O ex-administrador financeiro da Rioforte, Gonçalo Cadete, garantiu esta terça-feira no Parlamento que não sabe quem eram os tomadores da dívida desta holding do Grupo Espírito Santo, excetuando a Portugal Telecom.

«Não conhecemos os tomadores. Conhecemos a PT, mas não conhecemos mais nenhum», afirmou o responsável durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito ao caso BES/GES.

«Não sabemos quem foram os tomadores, sem ser a PT», reforçou Gonçalo Cadete.

As audições de Zeinal Bava e de Henrique Granadeiro, ex-líderes da PT, estão agendadas para os dias 26 de fevereiro e 04 de março, respetivamente.

Ambos os responsáveis vão prestar esclarecimentos aos deputados já que lideravam a PT quando a operadora fez aplicações financeiras de quase 900 milhões de euros em papel comercial da Rioforte, que não cumpriu o pagamento.

Durante a sua audição, Gonçalo Cadete voltou a alegar o seu desconhecimento depois de questionado sobre se os dois investidores institucionais da Venezuela (Banco de Desarrollo Economico y Social Venezuela e Fondo de Desarrollo Nacional Fonden) que, segundo a informação que veio a público, tinham subscrito dívida de holdings do GES, estavam entre os subscritores do papel comercial da Rioforte.

«Na Rioforte, que eu soubesse, não. Mas há uma parte nas tomadas de financiamento que eu não sei quem foram os tomadores», frisou.

Ricardo Salgado, ex-presidente do Banco Espírito Santo, passou cartas de conforto aos dois investidores venezuelanos no verão de 2014, contribuindo para o avolumar dos prejuízos do banco no primeiro semestre do ano passado.

Em causa estão 267,2 milhões de euros e, apesar dos documentos assinados por Ricardo Salgado e José Manuel Espírito Santo datarem de 09 de junho de 2014, o ex-administrador financeiro do BES, Rui Silveira, já disse no Parlamento que esta decisão foi tomada à revelia dos restantes gestores do BES.

Segundo Rui Silveira, a comissão executiva do BES só teve conhecimento da existência destas cartas a 15 de julho.
A comissão de inquérito teve a primeira audição a 17 de novembro passado e tinha inicialmente um prazo total de 120 dias, até 19 de fevereiro, mas foi prolongado por mais 60 dias.

Os trabalhos dos parlamentares têm por objetivo «apurar as práticas da anterior gestão do BES, o papel dos auditores externos e as relações entre o BES e o conjunto de entidades integrantes do universo do GES, designadamente os métodos e veículos utilizados pelo BES para financiar essas entidades».