São os primeiros documentos que contradizem a tese de Ricardo Salgado, de que não sabia dos erros cometidos na Espírito Santo Internacional, e que vieram a comprometer todo o Grupo Espírito Santo arrastando, por tabela, o BES. O jornal «Expresso» revela que o contabilista já tinha comunicado os erros numa reunião a 28 de março, na qual assegurou que o ex-presidente do BES sabia de tudo.

BES: afinal de quem é a culpa?

De acordo com um excerto da conversa, no encontro entre o contabilista e advogados da Espírito Santo Control, Francisco Machado da Cruz foi confrontado com as erros nas contas da ESI.

O responsável pela contabilidade disse que Ricardo Salgado estava a par de tudo o que se passava. Para além dele, pelo menos outros dois membros do Conselho Superior, José Manuel Espírito Santo e Manuel Fernando Espírito Santo, sabiam de tudo.

O «Expresso» conclui que Machado da Cruz assumiu a responsabilidade dos erros das contas para ilibar os subordinados. Os advogados concluíram que os erros serviram para esconder as perdas da ESI.

O contabilista mostrou-se entretanto disponível para ir à comissão de inquérito ao caso, para prestar esclarecimento, e garantindo que não está fugido, como Salgado deu a entender na sua audição.

A versão contada aos deputados pelo ex-patrão do BES foi que nunca deu instruções para a ocultação de contas e colocou todas as responsabilidades em cima de Machado da Cruz, alegando dizer que não foi avisado de nada.