A audição do contabilista do Grupo Espírito Santo era das mais aguardadas. Apesar de ser à porta fechada, ou por isso mesmo, foi longa. Durou quase nove horas. Nove horas em que Francisco Machado da Cruz respondeu a tudo, segundo o presidente da comissão de inquérito ao BES / GES. 

«Foi uma sessão com muitas horas, mas foi uma sessão profícua, com declarações com interesse, obviamente, para a descoberta dos factos. Todas as perguntas foram respondidas. Portanto, para já, não vemos necessidade que o dr. Machado da Cruz regresse à comissão»

Fernando Negrão falava no final da audição, aos jornalistas, depois de uma audição que, embora tenha sido  à porta fechada não travou o conhecimento público do que lá se passava. A TVI conseguiu apurar que o commissaire aux comptes Machado da Cruz denunciou Ricardo Salgado, dizendo que a ideia da ocultação do passivo da ESI - que esteve na origem da derrocada do grupo e, por arrasto, do BES - foi de Salgado. 

Sobre se haverá divulgação oficial do que lá dentro se passou, por uma questão de interesse público, o presidente da comissão de inquérito disse aos jornalistas que caberá ao próprio contabilista do GES «avaliar se acha que há essa necessidade ou não». 

No entanto, será natural que outras pessoas sejam confrontadas com as declarações proferidas por Machado da Cruz. E à porta aberta, que é o regime normal da comissão. Fernando Negrão explicou que, sobre matérias ditas dentro de portas, se poderá utilizar um regime misto, «parte à porta fechada e outra parte à porta aberta».  «Essa pode ser uma solução», reforçou.

Segundo o mesmo porta-voz, não há mais qualquer pedido de audição à porta fechada. A audição do controller financeiro do GES, José Castella, e de Machado da Cruz tiveram «caráter excecional».

«Nós vamos levar isso muito a sério e só muito excecionalmente haverá uma audição à porta fechada»


O deputado social-democrata adiantou ainda que o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, o seu primo rival e presidente do BESI, José Maria Ricciardi e o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, poderão voltar a ser chamados ao Parlamento, entre outras pessoas. 

Questionado sobre se a audição foi das mais importantes até agora ouvidas já 24 pessoas, o presidente da comissão de inquérito disse que «todas» são importantes. «Esta foi importante como as outras».