Alguns clientes do Banquee Privée Espírito Santo, banco de gestão de fortunas que o Grupo Espírito Santo (GES) tem na Suiça, estão a preparar queixas contra a instituição e a Espírito Santo International (ESI), holding do GES.

Esta organização coletiva acontece devido ao facto de terem em atraso o reembolso de investimentos realizados em papel comercial da ESI e de outras sociedades do grupo que, alegam, lhes foram apresentados pelo banco suíço do GES como produtos sem riscos, ainda que agora esteja sob a ameaça de incumprimento, avança o Jornal de Negócios.

Ainda que a criação deste grupo esteja em fase embrionária, o empresário do imobiliário que lidera a ação avançou que já foram contatados outros clientes do banco, entre os quais empresários do setor têxtil do Norte do País, que realizaram aplicações através das sucursais do banco suíço em Lisboa e no Porto.

O objetivo dos clientes passa por ter uma resposta concreta do banco acerca da solução possível para este atraso nos reembolsos das aplicações.

Os queixosos consideram que o primeiro teste à capacidade do GES em fazer face aos seus compromissos será a solução que for encontrada para o investimento de 900 milhões de euros que a PT fez em papel comercial da Rioforte e vence a 15 e 17 de julho.

A questão fulcral, neste caso, é o facto de diariamente vencerem aplicações que, afirmam, o BPES lhes terá vendido como depósitos a prazo e obrigações de capital garantido que não estão a ser reembolsadas dentro dos prazos.

Assim, o argumento que os clientes se preparam para apresentar aos supervisores de vários países é o facto de, supostamente, o investimento em papel comercial da ESI e de outras empresas do GES ter sido considerado como não tendo risco e com a garantia de reembolso até aqui associada ao nome Espírito Santo.

Na listas de supervisores dos vários países a contatar estão a Autoridade Federal de Supervisão dos Mercados Financeiros da Suiça, Finma, Comissão de Supervisão do Setor Financeiro do Luxemburgo, Banco de Portugal e Comissão dos Mercados de Valores Mobiliários.

Fonte oficial do BPES noticiou ao «Jornal de Negócios» que há atrasos no reembolso dos pagamentos de alguns clientes, justificando tal com o facto de estar a ultimar o plano de reestruturação da dívida desta sociedade.

OS gestores de clientes têm informado que a reestruturação pode passar pela conversão de parte da dívida em ações preferenciais.

Uma solução é a conversão de 85% dos fundos investidos em ações preferenciais perpétuas e os restantes 15% em títulos de dívida de longo prazo.