O Governador do Banco de Portugal garante que o projeto de resolução do BES «foi alterado devido a alteração de circunstâncias, que não dependeram do Banco de Portugal nem dos próprios administradores» do banco, pelo que a saída do primeiro administrador do Novo Banco se deveu, apenas, ao facto de considerar que «não era adequado continuar». «Não podíamos forçar Vítor Bento a continuar». 

«Que fique claro, CE só soube do caso BES dia 1 de agosto»
 
Sem se referir, inicialmente, de forma explícita, a essas alterações, mais à frente, na comissão de orçamento e finanças que está a decorrer esta quarta-feira no Parlamento, precisamente sobre a saída de Vítor Bento, Carlos Costa referiu os avultados prejuízos que o BES registou e a descida do rácio de capital.  
 
Por várias vezes, agradeceu a  Vítor Bento pelo trabalho prestado no Novo Banco e quis reafirmar que o processo que em curso é «transparente», e que o facto de ter sido feito «de imediato» demonstrou «diligência». Mesmo no que toca à entrada em cena do BNP Paribas, falou em transparência e disse que ela está, de resto, a ser «acompanhada pela Comissão Europeia», alegou na comissão de orçamento e finanças desta quarta-feira, no Parlamento, precisamente sobre a saída de Vítor Bento, apenas dois meses depois. 

«Posso garantir que teve todo o apoio do conselho de administração do Novo Banco». « Vitor bento esforçou-se», mas «h ouve um momento – e só ele pode explicar - que considerou não era a pessoa adequada para continuar com o processo». Daí que, «por mútuo acordo», decidiu-se que, então, saíria.

«Muito embora estivesse confortável com trabalho que estava a ser feito» por Vítor Bento, Carlos Costa admitiu, hoje, que «não podemos forçar ninguém - apesar de todo o apreço que tenho pelo doutor Vítor Bento, a continuar nesse lugar».

O Governador do BDO assegurou, ainda, que «foi um processo absolutamente dialogado, com diálogo muito estreito entre banco de Portugal e conselho de administração».  «É claro que, como compreendem, que primeiros dias que se seguem a este processo, são dias de ajustamento».

Última palavra, na sua intervenção inicial, para mais uma vez reforçar que gostou do trabalho da administração liderada por Vítor Bento: «A nova administração desenvolveu trabalho que nós reconhecemos. E, nesse contexto, [Vítor Bento] considerou que não era adequado continuar e o Banco de Portugal, nessa altura, junto com conselho de administração, teve de encontrar outra solução».

Carlos Costa falava interpelado pelo Bloco de Esquerda, que propôs esta audição, a que se seguirá, às 11h30, a da ministra das Finanças.