José Manuel Espírito Santo Silva foi administrador executivo do Banco Espírito Santo, mas foi afastado quando Ricardo Salgado, de quem era histórico apoiante, saiu. Foi a primeira pessoa a pedir desculpa, sem rodeios, e logo à cabeça, pelo colapso do Grupo Espírito Santo e do banco que levou por arrasto. Tem consciência que o nome da sua família é visto como «tóxico».
 
Para além do mea culpa, expressou a sua visão sobre a ocultação de contas na Espírito Santo Internacional, implicando diretamente Ricardo Salgado e o ex-controller financeiro do GES, José Castella, no assunto.
 
O resumo da audição em 8 pontos:
 
1 - As primeiras palavras foram para os clientes, investidores e colaboradores do BES: «Em meu nome pessoal e do ramo familiar que represento, quero deixar as primeiras palavras para essas pessoas, quem mais sofreu por tudo isso e merecem pedido de desculpa institucional»
 
2 - Presume que o contabilista Francisco Machado da Cruz não tenha «decidido por conta própria» ocultar as contas da Espírito Santo Internacional
 
3 - Chegou mesmo a falar numa «combinação» entre os responsáveis pela tesouraria do grupo. Ora, eram o contabilista Machado da Cruz, o controller financeiro José Castella e Ricardo Salgado, a quem ele reportava. ««Eram os responsáveis, mas não estou a afirmar que foram eles» 

4 - Confessou que ele e Ricardo Salgado eram e são «como irmãos» e que tinha grande confiança no ex-presidente do BES . «Quem é que em Portugal não confiava?». A gestão do GES era muito «centralizada» nele, mas «todos aprovavam»
 
5 - Lamenta o facto de o Banco de Portugal não ter dado «tempo» para resolver os problemas que, no seu entender, tinham solução «possível», porque havia «investidores particulares e institucionais interessados» em entrar no capital da RioForte e a ideia era avançar com a venda de ativos
 
6 - O BES podia não ter «afundado». As diretrizes do Banco de Portugal eram«muito apertadas e muito difíceis», com os técnicos a verem-se «aflitos» para cumprir os prazos exigidos. Mas não acredita que o supervisor quisesse acabar com um banco que deixou «um legado» ao país

7 - Confessou que o pós-colapso do GES e do BES tem sido «muito duro», porque ser da família Espírito Santo é ter um «nome tóxico». Mas, admite, «muita culpa deve ser imputada a nós»

8 - Garantiu que os ex-administradores GES «nunca encomendaram nada» ao Governo e que a recapitalização pública «nunca foi pensada». Isto apesar de ter dito numa reunião do conselho superior do GES que era preciso «pôr o Moedas [ex-secretário de Estado-adjunto do primeiro-ministro] a funcionar»
 
9 - Angola era um assunto de um círcunlo muito restrito: Álvaro Sobrinho queria falar «apenas» com Ricardo Salgado. Alega, por isso, que não teve conhecimento do endividamento do BESA em tempo útil e recebeu a notícia «com grande indignação». Foi «apanhado de surpresa» no início de 2013

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«O meu nome é tóxico. Muita culpa é nossa»