Em Dezembro do ano passado, a TVI avançava que a decisão tinha sido comunicada pelo banco central angolano no dia 1 de agosto e agora publica a carta confidencial enviada ao BESA, e que deixa claro que seriam «retiradas da listagem» cobertas pela garantia soberana" operações de crédito que não tivessem provisões.

A garantia em causa tinha sido assinada pelo ministro das Finanças angolano e seguia-se a uma ordem do Presidente José Eduardo dos Santos, que prestava ao BESA uma garantia soberana irrevogável no valor de 3,5 mil milhões de euros.

Para Ricardo Salgado, ex-presidente executivo do BES, o problema está na resolução do banco, que atirou a garantia estatal para o lixo tóxico, e foi essa decisão que terá ditado o fim da garantia. Mas a versão do Banco de Portugal é bem diferente: diz que no dia 27 de julho houve uma primeira comunicação que diz que, na sequência da auditoria que estão a fazer ao BESA, diz existirem créditos problemáticos que não estão cobertos pela garantia. 
 
Ora esta carta vem provar que esses créditos do BESA deixaram de ter o conforto do Estado angolano e que essa garantia foi posta em causa ainda antes da resolução do BES, com a obrigatoriedade de reforço de provisões que o BESA não tinha forma de cumprir.