A secretária de Estado da Defesa, Berta Cabral, assumiu hoje que o subsistema de saúde dos militares (ADM) não é «autossustentável no imediato», estimando para 2014 um défice de 22 milhões de euros neste sistema.

«A ADM tem condições específicas que a impedem de ser autossustentável no imediato. Há um conjunto de particularidades que devem ser expurgadas», frisou a governante, que falava no parlamento.

Berta Cabral foi ouvida, em conjunto com outros quatro secretários de Estado, no âmbito da proposta do executivo que mantém inalterado o aumento dos descontos para a ADSE de 2,5% para 3,5%, depois de vetada pelo Presidente da República.

O Ministério da Defesa «sempre cobriu os défices e vai continuar a cobrir», declarou ainda a governante.

Também ouvido esta manhã, o secretário de Estado adjunto do ministro da Administração Interna, Fernando Alexandre, declarou que o executivo mandou fazer um estudo sobre os custos dos subsistemas públicos de saúde dos polícias, os mais elevados por beneficiário.

«Há espaço para obter ganhos na gestão desses subsistemas», reconheceu o governante perante os deputados da Assembleia da República.

A 13 de março, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, o envio para a Assembleia da República do diploma que altera o valor dos descontos a efetuar para os subsistemas de proteção social no âmbito dos cuidados de saúde,

concretamente da Direção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas (ADSE), dos Serviços de Assistência na Doença (SAD) e da Assistência na Doença aos Militares das Forças Armadas (ADM).

O veto de Cavaco Silva, a 11 de março, tinha sido justificado em nota então publicada na página da Presidência da República com o facto de terem existido «sérias dúvidas» relativamente à necessidade de aumentar as contribuições dos 2,5% para 3,5%, para conseguir o objetivo pretendido.