O Banco de Portugal continua apostado em criar um mecanismo de titularização de créditos bancários, mas o processo está a arrastar-se devido à falta de uma garantia supranacional, disse o governador da instituição, num almoço organizado pelo American Club em Lisboa.

Desde o ano passado que o Banco de Portugal está a estudar a criação de uma entidade para titularizar empréstimos imobiliários. O objetivo deverá ser concentrar os créditos imobiliários num veículo que transforma os empréstimos em instrumentos negociáveis em mercado. Já em janeiro, na carta de intenções enviada à troika, o Governo referia que a titularização de créditos hipotecários seria feita «com garantia supranacional».

De acordo com Carlos Costa, citado pela Lusa, esta é uma solução em que as autoridades portuguesas continuam a apostar e adiantou que ainda não tomou forma pela falta de uma entidade que dê um selo de qualidade a este mecanismo.

«Essa é a solução em que estamos a trabalhar há muito tempo, mas que não depende só de nós. Depende de alguém nos dar um rating superior ao da República Portuguesa e isso só pode ser feito por uma instância supranacional», referiu o governador.

Segundo Carlos Costa, titularizar os créditos e vendê-los a investidores tornaria «os bancos mais rentáveis», isto no momento em que o sistema bancário português se debate com o facto de ter um stock de crédito com baixos juros, o que penaliza a margem financeira, e que as instituições tentam compensar com taxas mais elevadas nos novos créditos.

Ao mesmo tempo, esta titularização de créditos seria importante para aumentar o financiamento da economia: «Isto é um ponto essencial de resolução de todos os problemas do nosso sistema financeiro e da reposição da condição de financiamento do sistema financeiro», afirmou o governador.