As novas estatísticas de empréstimos concedidos pelo setor financeiro introduzidas pelo Banco de Portugal (BdP) no Boletim Estatístico de fevereiro, divulgado esta segunda-feira, revelam que quase 30% das empresas privadas estão em incumprimento no crédito.

Do total de 81,3 mil milhões de euros do "stock" de financiamento concedido pela banca às empresas privadas com que se fechou o ano de 2015, o rácio de crédito vencido ascendeu a 16,2% (contra 15,4% no final de 2014), enquanto que a percentagem de devedores com crédito vencido situou-se nos 29,4%.

No que toca às empresas públicas, do total de 2,2 mil milhões de euros de financiamento bancário com que fecharam o exercício do ano passado, o rácio de crédito vencido era de apenas 1,2% e a percentagem de devedores com crédito vencido fixou-se nos 4,8%.

Uma das novidades das novas estatísticas disponibilizadas pelo regulador bancário passa pela desagregação das sociedades não financeiras, que passam a ter dados isolados relativamente à sua dimensão (microempresas, pequenas empresas, médias empresas e grandes empresas), bem como por estatuto (públicas e privadas).

Neste campo, as microempresas destacam-se pela negativa ao apresentarem em 2015 o rácio mais alto de crédito vencido (25,1%), e 30,4% de devedores com crédito vencido. Seguem-se-lhes as pequenas empresas (14,4% e 25,8%, respetivamente), as médias empresas (12% e 23%), e as grandes empresas (3,7% e 13,4%).

No global do financiamento concedido às sociedades não financeiras, o rácio de crédito vencido corresponde a 15,8% e a percentagem de devedores com crédito vencido ascende a 29,4%.

Quanto aos particulares, que integram as famílias e as instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias (como por exemplo fundações), cujo 'stock' de crédito bancário ascendeu a 129,7 mil milhões de euros em 2015, em termos combinados o rácio de crédito vencido foi de 5% e a percentagem de devedores com crédito vencido foi de 14%.

As instituições sem fins lucrativos apresentavam em dezembro um rácio de crédito vencido de 1,3% e os devedores com crédito vencido ascendiam a 9,6%.

Já as famílias tinham um rácio de crédito vencido de 5,1% e a percentagem de devedores com crédito vencido era de 14%. Destes o crédito à habitação apresentou um rácio de crédito vencido de 3% e a percentagem de devedores com crédito vencido fixou-se nos 6,4%.

No crédito ao consumo e outros fins os valores de 2015 sobem consideravelmente para 14,1% e 15,4%, respetivamente.

O Banco de Portugal introduziu também as estatísticas relativas aos diferentes escalões de endividamento das famílias.

Em dezembro último, mais de 50% dos devedores possuíam um endividamento inferior a 25 mil euros. Apenas 1% dos devedores deste setor apresentava um endividamento superior a 250 mil euros, representando, contudo, 13% do montante total do crédito.

Em termos de indicadores de incumprimento, foi nos dois escalões de menor endividamento que se registaram os rácios de crédito vencido mais elevados (15,8% e 10,6%, respetivamente), seguidos pelo escalão de maior endividamento (9,7%), no qual cerca de um em cada cinco devedores tinha crédito vencido.

Os dados do regulador indicam ainda que o endividamento médio das famílias portuguesas tem vindo a decrescer desde 2011, quando se situava nos 53,5 mil euros, até ao final do ano passado, quando atingiu os 47 mil euros, segundo os dados do Banco de Portugal.

Uma tendência de queda partilhada pelo endividamento médio das sociedades não financeiras (empresas), que passou de 466 mil euros em 2010 para 378 mil euros em 2015.

No que toca às garantias prestadas pelos beneficiários dos empréstimos, verifica-se que no final do ano passado 22% do crédito concedido às empresas não possuía nenhuma garantia associada.

Nas famílias a percentagem era de 1% no crédito à habitação e de 47% no crédito ao consumo e outros fins.