A maior perda de emprego entre 2001 e 2013 ocorreu na indústria, que verificou uma redução de 360 mil postos de trabalho, segundo uma análise à economia portuguesa divulgada esta quarta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).

«Depois de um ligeiro aumento do emprego no início do século, perderam-se cerca de 680 mil empregos nos últimos 5 anos. Entre 2001 e 2013, a maior perda de emprego ocorreu na Indústria, com uma redução de 360 mil postos de trabalho», lê-se na análise à economia portuguesa presente no relatório do Conselho de Administração do BdP divulgada hoje.

A instituição liderada por Carlos Costa admite que as perdas neste setor ¿ que representam 53% da totalidade do emprego perdido ¿ podem ser explicadas por um processo secular de terciarização das economias desenvolvidas, já que, mesmo antes da crise, desapareceram 143 mil postos de trabalho na indústria entre 2001 e 2007.

No entanto, o Banco de Portugal indica que o período de crise «acentuou as alterações na estrutura do emprego», já que no caso do setor da construção «as alterações ocorreram de forma abrupta».

Entre 2007 e 2013, este setor perdeu 270 mil postos de trabalho, ficando o nível de emprego, no ano passado, em cerca de metade do observado em 2001.

Já o desemprego cresceu de forma sustentada no período 2001 e 2013: no início do século, o desemprego «atingiu o valor mais baixo desde a década de 1970», 4%. No ano passado, este valor «mais que quadruplicou», atingindo os 16,3%.

O Banco de Portugal destaca no relatório o elevado nível de desemprego entre as adversidades do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF), apesar de considerar que os seus objetivos foram «globalmente cumpridos».

No ano passado, indica o Banco de Portugal, a redução do desemprego foi influenciada por fatores demográficos.

A entidade demonstra também que, na última década, os aumentos do salário mínimo e o aumento do desemprego «implicaram uma redução da desigualdade salarial».