O BCP e o BPI devolveram antecipadamente o dinheiro que o Estado lhes emprestou sendo assim possível manter a almofada financeira como se a última tranche da troika não tivesse sido dispensada. O Tesouro terá assim mais 2,2 mil milhões que o previsto, avança o Diário Económico.

O valor da última tranche de financiamento da troika era de 2,6 mil milhões de euros, valor esse que a ministra das Finanças dispensou para evitar que o programa de resgaste se prolonga-se até ao final do ano e consequentemente, uma 13ª avaliação que incluía critérios quantitativos com referência a Setembro.

O Tesouro pretende agora intensificar as idas ao mercado, aumentando os leilões de Obrigações do Tesouro e reforçando as emissões sindicadas. Em vez dos 3,6 mil milhões de euros que estavam previstos quando ainda contava com a última tranche da troika, o presidente do IGCP, João Moreira Rato, aumentou o objetivo para um financiamento adicional entre 6 e 6,5 mil milhões de euros junto dos investidores privados.

Além dos 400 milhões que já tinha devolvido, o BCP vai entregar agora 1.850 milhões de euros. No total são 2.250 milhões de euros que os cofres públicos recebem, quando só esperavam reaver 500 milhões este ano. Portanto há uma surpresa positiva de 1.750 milhões de euros para o Tesouro.

A este valor,somam-se 420 milhões de euros devolvidos pelo BPI.O banco já tinha restituído 500 milhões em março, o que não fazia prever mais nenhum reembolso este ano - o plano inicial só previa a amortização total do empréstimo em 2017 e contava com um esforço de devolução de apenas 270 milhões de euros este ano.

Ainda assim, as contas para 2015 continuam exigentes. A intenção do IGCP é chegar ao final deste ano com uma almofada de liquidez de cerca de dez mil milhões de euros, incluindo já os 6,4 mil milhões que estão reservados para apoiar a banca (mas que ficam disponíveis a partir de outubro caso os bancos não precisem deles entretanto, ou na sequência dos testes de stress europeus).

Este valor representa dois terços das necessidades de amortização do próximo ano, com o objetivo de obter os restantes cinco mil milhões nos primeiros meses de 2015.

O próximo ano será de grande expetativas uma vez que já não se conta com o chapéu da troika, há eleições legislativas e riscos de novos chumbos do Tribunal Constitucional às medidas de austeridade.